Igreja Universal do Reino de Deus

 

 

IURD - Que Reino é este ?

“A Igreja Universal do Reino de Deus é uma mistura de Protestantismo, Catolicismo e Religiões Afro-Brasileiras” - (Pr. Ed Renê Kivitz – Pastor Batista)

“A IURD virou um centro de Macumba evangélico” - (Pr. João Flávio Martinez – presidente do CACP)


Neste estudo não estou querendo arvorar o papel de juiz, mas apenas denunciar, na esfera teológica, os equívocos e os abusos cometidos pela Igreja Universal do Reino de Deus – IURD (Lv. 5; I Co 2.15). Isso é pelo fato de entendermos que a referida denominação, lamentavelmente, saiu da contextualização de “Movimento Contraditório” e passou a condição de seita pseudocrístão.

O CACP classificava a IURD como movimento contraditório devido à confissão de fé da denominação que, apesar das práticas heterodoxas, era semelhante as demais confissões evangélicas. Acontece que a IURD incorporou em suas práticas ritos católicos como; novenas, ramos, água benta, procissão... E também ritos das religiões afro-brasileiras, como; fita, rosa ungida, peixe orado, sabonete do descarrego, espada de S. Jorge, enxofre, sal grosso, desmanche de trabalhos, invocação de espíritos da umbanda e candomblé (exu, pomba-gira, caboclo, guias, tranca-rua e outros)... Enfim, realmente a IURD é um sincretismo místico da cultura brasileira – é uma igreja 100% mande in Brazil! Pra piorar esse marasmo sincrético, a IURD conseguiu superar todos os movimentos heterodoxos incorporados, ou seja, ela ficou mais estereotipada do que as facções que ela aderiu. Afinal de contas, nenhum desses movimentos incorporados a ela defende a Liberalização do Aborto. Podemos arrazoar com certeza que a IURD é muito mais corrompida teologicamente do que a Macumba e o Catolicismo.

Quanto mostro a problemática em que se envolveu a IURD, alguns resolvem sair na sua defesa alegando o exponencial crescimento, tentando assim colocá-la como uma Igreja de Deus. O meu questionamento a essas pessoas giraria em torno das evidências e estatísticas. Será que toda a denominação religiosa que cresce é cristológica ou de acordo com a Bíblia? E o que dizer dos centros espíritas, eles são ajustados com a teologia Protestante? - E por que crescem tanto? E o Kardecismo, que tem se alastrado pelo mundo afora, é um movimento evangélico? E o que dizer do crescimento das religiões orientais como; islamismo, budismo e hinduísmo?

Podemos concluir que o conselho de Gamaliel estava equivocado neste aspecto (Cf. At. 5), pois nem tudo que cresce pode ser definido como sendo um movimento evangélico bíblico.

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HISTÓRICO

Seus membros e dirigentes atribuem sua fundação ao ano de 1977, quando Edir Macedo, então um pregador de uma igreja evangélica estabelecida, decidiu criar sua própria igreja, adequada à sua visão de pregação e da revelação de Deus. Contou para isso com a companhia de Romildo Soares. Após a criação da igreja, este se desligou e fundou outra igreja, a Igreja Internacional da Graça de Deus. De acordo com Marcelo Crivella a Igreja Universal e a Igreja da Graça têm uma origem comum: a Igreja Pentecostal de Nova Vida. A separação das três teria ocorrido pela diferença do foco de seus três dirigentes.

Tudo começou em um altar no Coreto do Méier, pequena área de lazer no Jardim do Méier, localizado no bairro do Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro. Todos os sábados, às 18 horas, Edir Macedo, usando uma antiga caixa de som e um pequeno teclado, fazia pregações ao ar livre para um pequeno grupo de pessoas, a maioria curiosos que passavam pelo local. Nas reuniões da chamada Cruzada para o Caminho Eterno, foram dados os primeiros passos para a conquista de adeptos para a então embrionária Igreja Universal do Reino de Deus. O número de membros cresceu e as reuniões passaram a acontecer em um antigo cinema, o Bruni Méier, passando depois para outro cinema, o Ridan, no bairro de Piedade, também Zona Norte carioca. Os encontros depois se transferiram para um pequeno galpão na Avenida Suburbana, onde antes funcionava uma funerária. Em 9 de julho de 1977, nasceu oficialmente a igreja, a princípio sob o nome de Igreja da Bênção. Depois foi aberto o segundo templo, desta vez em terreno próprio, em Padre Miguel. Em seguida, vieram as igrejas do Grajaú, Campo Grande, Duque de Caxias e Nova Iguaçu (Rio de Janeiro). Gradualmente, as igrejas se espalharam por muitos bairros da cidade. Três anos depois foi aberto o primeiro templo nos EUA.

Hoje, a Sede da IURD é a Catedral Mundial da Fé, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro, também conhecida como Templo da Glória do Novo Israel.

Quando tinha apenas doze anos de fundação, a igreja já possuía uma renda financeira suficiente para comprar uma emissora de TV, dinheiro arrecadado dos seguidores, que vivem a ideologia da Teologia da Prosperidade.

Em 1992, Edir Macedo, fundador e líder da seita, passou 11 dias em prisão preventiva, por conta de um processo criminal no qual a principal acusação era a de estelionato (apropriação de bens alheios mediante ardil). Em 1995, a Associação Evangélica Brasileira, que reunia boa parte das instituições do protestantismo local, divulgou um pronunciamento no qual se afirmava que a IURD, devido a suas doutrinas e práticas, carece de autenticidade protestante.


 

 

DOTRINAS:



SECTARISMO

Universal: Observamos esse partidarismo de maneira acentuada ao ligarmos a emissora da “IURD”. O que ouvimos é sempre uma exaltação denominacional e não da pessoa do Senhor Jesus. Nos “testemunhos” sempre ouvimos que – “quando eu encontrei a IURD...” ou “quando eu aceitei o ensinamento da IURD...”. Quase sempre a denominação vem primeiro e recebe a veneração das pessoas – a IURD é um fim em si mesma! É como se a instituição tivesse o poder soteriológico para redimir alguém.
Quanto aos demais evangélicos, são reputados como a margem do cristianismo, sendo a IURD o centro da fé. Esses demais evangélicos são apenas massa de manobra, só participam da Rede Record em momentos especiais, quando a Receita Federal, Policia Federal ou a Rede Globo se volta contra a “IURD”. Aí, meu amigo e minha amiga, eles são “evangélicos”. Convidam os seus “colegas” para participar da defesa da “Igreja de Cristo”.


Defesa do Evangelho: Aqui precisamos fazer algumas reflexões:
1) Quem salva o indivíduo?
"E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos" (At.4:12)
"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (ITm.2:5).
"Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (Jo.14:6).
Admitir que uma certa denominação seja portadora do poder de salvar o homem é assinar um atestado de ignorância teológica. A IURD ao admitir que uma pessoa foi salva pela fé na denominação se coloca como a única igreja verdadeira, tomando o lugar do singular Salvador. A Bíblia é clara que só Jesus é o caminho e não há mediador entre Deus e o homem a não ser Cristo de Deus (Jo 14.6). As Igrejas são apenas o meio que levam o homem ao fim, que é a salvação através de Jesus.
2) A Salvação é pela Graça
A salvação não é pelas obras, é um dom. O caminho da salvação provido por Deus é receber a Cristo pessoalmente, confiando nele somente para nos salvar. Tendo você dinheiro ou não, a salvação é pra você. Ela não pode ser comprada pelo seus dízimos ou ofertas, pois foi paga por Jesus na Cruz.
Romanos 6:23: "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor." Não podemos fazer-nos "dignos" da graça de Deus. Salvação é um dom gratuito ao indigno, ao que não merece, e todos nós estamos nesta categoria. "Cristo morreu pelos ímpios" -- Romanos 5:6. Efésios 2:8, 9: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie."
 



ENTREVISTA COM DEMÔNIOS

Universal: Pessoas sendo levadas por corredores enormes e muitas vezes de maneira constrangedora, ajoelhada ou arrastada. Em alguns casos a pessoa passa por um interrogatório aonde o suposto espírito possuidor fala e esbraveja enquanto é entrevistado. Nesse período a pessoa fica fragilizada e até machucada pela luta corporal que acontece. O paralelo disso é visto dentro da umbanda, macumba e candomblé, aonde os guias, médiuns ou pais-de-santos trabalham para fazer o membro desenvolver seus guias e espíritos – a pessoa é obrigada a se embriagar, fazer ritos, etc. Algo realmente muito similar com algumas práticas de “libertação” da IURD.

Defesa do Evangelho: A Bíblia é enfática, o Diabo e seus demônios são mentirosos e neles não há verdade (Jo 8.44) e que nos últimos dias esses espíritos falariam e ensinariam mentiras. Por isso qualquer movimento religioso que dá muita ênfase no que dizem os espíritos, é uma religião perigosa e antibíblica.
Leiamos: “Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”. (1Tm4:1)
“Mas Jesus o repreendeu (o demônio), dizendo: Cala-te, e sai dele” (Mc 1.25).
Ficar dialogando com demônios não é recomendável e nem neotestamentário. Há sempre o perigo de estarmos sendo vítimas de um engodo maquiavélico. Jesus era pragmático e objetivo nessa questão, Ele compreendia que quanto mais rápido agisse na vida do problemático, melhor. Para o possesso o momento de endemoninhamento é constrangedor e muito sofrível. Devemos nos preocupar com o estado dessa pessoa e usarmos toda nossa fé para auxiliar o indivíduo de maneira simples e objetiva.
Ter discernimento nesses casos é valioso, pois muitas vezes o indivíduo não está com um problema espiritual, mas o caso é patológico e de saúde. Quando diagnosticamos o problema de maneira correta podemos ajudar com muito mais eficiência. Se for caso de saúde, pode ser um ataque epilético, a pessoa deve ser encaminhada a um especialista médico da área. Quando o caso for psicológico, um psiquiatra deve ser consultado. É papel da Igreja saber ajudar da melhor maneira cada pessoa.
Os ensinamentos de Jesus vão contra tudo isso e mostra que a metodologia do Cristo é rápida e não tem nada disso, pois com o uso de uma singela frase o mal cessa e a peleja é resolvida: “Saia em nome de Jesus” (Mc.16:17) - e pronto. Se a libertação não acontecer nesses termos, não é uma libertação bíblica. Embora, eu entenda que há mesmo é muita mistificação dentro da IURD. Não estou dizendo que possessão não exista, estou dizendo que acho que a IURD faz mais manobras espiritualistas fictícias do que libertação cristológica.
Fico pensando como fica a pessoa autenticamente possessa que passou por todo aquele constrangimento diante da família e dos amigos que vão com ela ou até mesmo assistem pela TV. Tudo isso poderia ser evitado com amor e carinho e sem sensacionalismo.
Muitos, dos que vão até lá, nem vão para ouvir a Palavra de Deus, mas para ver os demônios se manifestarem como se isso fosse um espetáculo. Bom seria se as pessoas fossem a igreja para ver a manifestação da Graça de Deus.
 


INVOCAÇÃO DE DEMÔNIOS
 

Universal: Sobre essa problemática, argumenta o Dr. Paulo Romero: “Em alguns círculos evangélicos, os pregadores da libertação chegam a instigar os demônios para que se manifestem, dando-lhes ordens como: “Comece a manifestar aí, Exu Tranca-rua, comece a manifestar, Exu Caveira”,(...) e uma lista de nomes de orixás da umbanda e do candomblé são mencionados. Parece até ser uma reunião de invocação aos demônios.

Defesa do Evangelho: Não vemos tal modelo na Bíblia. Nem Jesus nem os discípulos mandaram os demônios se manifestarem. As manifestações demoníacas na Bíblia foram espontâneas (Mc 1.23,24; 3.11). A simples presença de Jesus era o bastante para que o inimigo se manifestasse. O mesmo acontecia com os discípulos. Quando esteve em Filipos, Paulo não mandou que o espírito que possuía uma jovem se manifestassem. Muito ao contrário, sentiu-se incomodado com as declarações e o demônio foi expulso (At 16.17-18). Basta a presença do Senhor na Igreja ou na vida do cristão para o inimigo ficar incomodado. O culto cristão deve ser centralizado no Senhor. O objetivo principal do povo de Deus ao se reunir é adorar a Deus em espírito e em verdade”. “Aqueles que escolhem a outros deuses terão as suas dores multiplicadas; eu não oferecerei as suas libações de sangue, nem tomarei os seus nomes nos meus lábios”.(Sl 16.4).



A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

Universal: A Teologia da Prosperidade, para quem não sabe, é a doutrina principal pregada pela IURD. Trata-se de uma substituição do Evangelho da Graça, pelo “evangelho” da ganância. É comum ouvimos da boca dos pregadores da prosperidade coisas do tipo: “Você é filho do Rei, não tem por que levar uma vida derrotada.. Deus quer você seja rico, que tenha muito dinheiro... quem é pobre está fazendo a vontade do diabo... está vivendo em pecado... Um homem de Deus é rico!” A teologia da prosperidade une o fútil ao desagradável, ou seja, é uma mistura de ganância e comodismo. Os adeptos da teologia da prosperidade acham que nós temos direito de reivindicarmos o que quisermos de Deus, esquecendo da soberania divina.

O Pr. Esequias Soares faz um comentário interessante sobre essa ideologia da IURD de Edir Macedo: “Desde muito cedo na história do cristianismo, já havia aproveitadores, que usavam a Palavra de Deus visando lucros pessoais – “Porque nós não somos falsificadores da palavra de Deus, como tantos outros; mas é com sinceridade, é da parte de Deus e na presença do próprio Deus que, em Cristo, falamos” (2Co 2.17). O termo grego para “falsificadores” é “kapeleuo”, negociar com, comerciar no varejo, colocar à venda, traficar, comercializar em pequena escala... falsificar, adulterar, negociar, buscar lucros... Esse verbo aparece referindo-se tanto aos mercadores, aqueles que usam a Palavra de Deus, visando interesses pessoais, como aos falsificadores, que adulteram e sofismam a Palavra para agradar as pessoas e delas tirar vantagens... é a prática da simonia... O apóstolo Paulo já via, em seus dias, essa tendência mercadológica e, para combatê-la, usou uma palavra com o significado de falsificar ou mercadejar a Palavra. Isso envolve práticas da simonia, adulterar a Palavra, fazer da religião comércio e faltar com sinceridade diante de Deus, visando interesses pessoais. O apóstolo rebate os simoníacos e, ao mesmo tempo, reafirma a sua sinceridade, quando diz; antes, falamos de Cristo com sinceridade... muitos confundem fé cristã com negócios e colocam a igreja nessa esfera, isso banaliza o sagrado e reduz as coisas de Deus à categoria de mero produto comercial... O tema do culto cristão é o Senhor Jesus, e não as ofertas.”

Defesa do Evangelho: Cito alguns textos bíblicos, que refutam esse evangelho falso, que promete ao homem uma vida de prosperidade materialista, atiçando-lhe a ganância.
“Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam” (Mat.6.19,20)
“De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão”. (ITm 6.4-11)
“...Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece...” (Fl 4.11-13)
“...E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e näo é rico para com Deus...” (Lc 12.15-21)

O IBGE trouxe uma constatação chocante para a ideologia dos propagadores da teologia da prosperidade no Brasil... Foi comprovado, no último censo de 2006, que os evangélicos são os que mais contribuem com a sua religião, apesar disso, são os religiosos mais pobres do País. Ou seja, essa teologia na prática não funciona. Bem, com a palavra os pregadores da prosperidade!
Que possamos nos levantar e espremermos a ferida do pecado que tanto nos assola e traz a verdadeira miséria – a miséria espiritual que leva o homem ao inferno. (Cf. Is 1; ITs 5.23; Heb 12.14).


CONFIANÇA EM AMULETOS
 

Universal: A IURD incorporou em suas práticas ritos católicos como novenas, ramos, água benta, procissão... E também ritos das religiões afro-brasileiras, como fita, rosa ungida, peixe orado, sabonete do descarrego, espada de S. Jorge, enxofre, sal grosso. Esse desvio tornou-se tão sério que as pessoas da “IURD” precisam quase sempre de um objeto para que sua fé funcione.

Defesa do Evangelho: Isso tudo é inaceitável, visto não ter bases bíblicas e nunca ter sido praticado pela Igreja primitiva. Devemos ter em mente o nosso verdadeiro alvo, a fé viva em Cristo Jesus, invisível, mas real (1Tm 1.17). Acreditamos que a fé das pessoas deva e tem que ser estimulada, mas da maneira bíblica (Rm 10.17). Infelizmente, vemos que nessa tentativa a “IURD” está usando um sistema não ensinado pela Bíblia. Sistema este cuja base é a troca da fé genuína, pela fé no visível e palpável. Nós, que somos protestantes, somos conhecidos por crer no Deus invisível e não aceitar o palpável (Jo 20.29). Como aceitar essa doutrina dos amuletos?

“...fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé...” (Hb 12.2).

O próprio Bispo Macedo condena os macumbeiros por utilizarem esses ritos e objetos em seus cultos, diz ele: “O diabo, confundindo as pessoas, age com misticismo em rituais e com as oferendas que exige. Costuma usar o número sete, usado por Deus na Bíblia... sete charutos, sete galinhas...; pede trabalhos e, sete encruzilhadas, durante sete dias (olha a campanha aqui)... usam flores, cachaça, animais, velas, alimentos...” (Livro: Orixás, Caboclo & Guias – Deuses ou Demônios?”, Edir Macedo, Editora Universal, Ed. 2000, pg. 93)

A questão então seria: E a IURD, não usa flores, enxofre, sal, sabonete, pão do descarrego, fita de pulso...? Quer dizer, quando a Macumba usa, é o diabo que está confundindo as pessoas, mas e quando a IURD manda que os mesmos objetos sejam utilizados? Vejam a contradição desse movimento que critica outro, mas faz identicamente o mesmo! É o axioma – A IURD se tornou igual a quem antes criticava.

O Senhor JESUS nos deu autoridade em seu nome contra todo o mal, e não ensinou ninguém a ficar usando amuletos mágicos e milagrosos. Não nos esquecendo que tais amuletos não são de graça, mas custam caros aos pobres coitados, vítimas do seu intrínseco misticismo.





OVELHAS QUE NÃO CONHECEM SEU PASTOR

As ovelhas da “IURD” não conhecem os seus pastores; como vivem, se são casados e bons maridos, onde moram e o que faziam antes... Enfim, as ovelhas desconhecem quem está ministrando, pois são pastoreadas no estilo da impessoalidade.

É vetada às ovelhas da IURD a mesma dedicação que os irmãos de Beréia tinham ao examinar aquilo que lhes era ministrado. Quando o Apóstolo Paulo pregava aos irmãos na cidade de Beréia, eles tinham a liberdade de examinarem nas escrituras se estas coisas eram mesmo assim como era ensinado (Atos 17.10 e 11). Isto inclui a vida moral e social que Paulo tinha, pois como crer na palavra de alguém que eu nem sei quem é?

Não estou dizendo que se deva fazer uma investigação, chamar um detetive para saber da vida do pastor, mas a ovelha tem que saber pelo menos o básico da vida do seu líder espiritual. As ovelhas da IURD são como ovelhas que não têm pastor, pelo fato de não conhecê-los e não desfrutarem de uma comunhão sadia. A Bíblia nos orienta dizendo: “... a ovelha conhece o seu pastor” (Jo 10.4 e 14).

Poderíamos comparar a IURD a uma empresa ou a um Banco. Você reconhece que aquele homem, da mesa mais bonita, é o gerente. Sabe que aquele indivíduo está ali para te ajudar, mesmo que de maneira interesseira, pensando apenas nos dividendos que vai lucrar com você. O fato é que a pessoa não o conhece além do balcão do Banco ou da loja. O atendimento é impessoal e frio. Na ótica comerciária, o mais importante é que a transação mercantil seja devidamente realizada.

Será que é assim que a Igreja de Jesus deve ser pastoreada, como um negócio? Claro que não! Acreditamos que deve haver um relacionamento concreto entre as ovelhas e o pastor, pois foi isso que o Senhor Jesus, o supremo pastor, nos ensinou (Leia: Jr 3.15; Jo 10.4). Para justificar essa ação inadequada, os líderes da IURD arvoram dizendo que tal atitude é para firmarem os seus membros na denominação e não ao líder local. Isso só mostra a impessoalidade do estilo adotado pela IURD!

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BATIZAM AS PESSOAS VÁRIAS VEZES


“Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos” (Ef.4:4-6).

O batismo na Bíblia é simbolismo de morte e ressurreição com Cristo (Cl.2:12; Rm.6:4), por isso deve ser único. O Senhor Jesus morreu uma única vez por todos nós e não muitas vezes.

Quando eles praticam, o que poderíamos chamar de rebatismo, estão fazendo algo inócuo diante de Deus – algo sem valor: “Porque é impossível que os que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério”(Hb.6:4-6). Notem que o autor da carta “Aos Hebreus” deixa claro que Jesus morreu uma única vez e que todos nós devemos valorizar isso. Como? Não desprezando o nosso primeiro compromisso e valorizando o nosso batismo. Na “IURD” não são só as pessoas não salvas ou não cristãs que são batizadas, mas também todos aqueles que querem fazer um “novo voto com Deus”. Quando vemos aquela grande multidão a passar belo batismo nem imaginamos que lá no meio há um grande grupo de membros batizados em outras denominações e gente que já foi batizado ali mesmo na IURD. Sabemos disso, pois esta prática é comum a quem quiser ver. Só que isso é inaceitável, pois a Bíblia externa que há: “um só Senhor, uma só fé, um só batismo”. Não devemos brincar com a graça de Deus, batismo é coisa séria e deve ser único, caso contrário é zombaria ao nome do Senhor.

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A FAVOR DO ABORTO

Já faz alguns anos que o CACP tem denunciado as contradições da IURD. Mas agora, entendemos que o Bispo Macedo e a Rede Record foram longe demais. Em uma contextualização bíblica, podemos concluir que o ato de defender o aborto coloca a IURD como uma denominação religiosa apóstata, com requinte herético que supera até mesmo a Igreja Católica Romana!!! Pra se ter uma idéia do tamanho desse absurdo, não há registro de nenhuma facção religiosa no mundo que defenda o aborto como a IURD. Devido a isso, entendemos que qualquer pessoa que realmente entenda o que é ser cristão não deve pertencer a essa denominação anticristã e pró-aborto.


A Bíblia e o Aborto

No Antigo Testamento, a Bíblia se utiliza das mesmas palavras hebraicas para descrever os ainda não nascidos, os bebês e as crianças. No Novo Testamento, o grego se utiliza, também, das mesmas palavras para descrever crianças ainda não nascidas, os bebês e as crianças, o que indica uma continuidade desde a concepção à fase de criança, e daí até a idade adulta.

A palavra grega brephos é empregada com freqüência para os recém-nascidos, para os bebês e para as crianças mais velhas (Lucas 2.12,16; 18.15; 1 Pedro 2.2). Em Atos 7.19, por exemplo, brephos refere-se às crianças mortas por ordem de Faraó. Mas em Lucas 1.41,44 a mesma palavra é empregada referindo-se a João Batista, enquanto ainda não havia nascido, estando no ventre de sua mãe.

Aos olhos de Deus ele era indistinguível com relação a outras crianças. O escritor bíblico também nos informa que João Batista foi cheio do Espírito Santo enquanto ainda se encontrava no ventre materno, indicando, com isso, o inconfundível ser (Lucas 1.15). Mesmo três meses antes de nascer, João conseguia fazer um miraculoso reconhecimento de Jesus, já presente no ventre de Maria (Lucas 1.44).

Com base nisso, encontramos a palavra grega huios significando "filho", utilizada em Lucas 1.36, descrevendo a existência de João Batista no ventre materno, antes de seu nascimento (seis meses antes, para ser preciso).

A palavra hebraica yeled é usada normalmente para se referir a filhos (ou seja, uma criança, um menino etc.). Mas, em Êxodo 21.22, é utilizada para se referir a um filho no ventre. Em Gênesis 25.22 a palavra yeladim (filhos) é usada para se referir aos filhos de Rebeca que se empurravam enquanto ainda no ventre materno. Em Jó 3.3, Jó usa a palavra geber para descrever sua concepção: "Foi concebido um homem! [literalmente, foi concebida uma criança homem]". Mas a palavra geber é um substantivo hebraico normalmente utilizado para traduzir a idéia de um "homem", um "macho" ou ainda um "marido". Em Jó 3.11-16, Jó equipara a criança ainda não nascida ("crianças que nunca viram a luz") com reis, conselheiros e príncipes.

Todos esses textos bíblicos e muitos outros indicam que Deus não faz distinção entre vida em potencial e vida real, ou em delinear estágios do ser – ou seja, entre uma criança ainda não nascida no ventre materno em qualquer que seja o estágio e um recém-nascido ou uma criança. As Escrituras pressupõem reiteradamente a continuidade de uma pessoa, desde a concepção até o ser adulto. Aliás, não há qualquer palavra especial utilizada exclusivamente para descrever o ainda não nascido que permita distingui-lo de um recém-nascido, no tocante a ser e com referência a seu valor pessoal.

E ainda, o próprio Deus se relaciona com pessoas ainda não nascidas. No Salmo 139.16, o salmista diz com referência a Deus: "Os teus olhos me viram a substância ainda informe". O autor se utiliza da palavra golem, traduzida como "substância", para descrever-se a si mesmo enquanto ainda no ventre materno. Ele se utiliza desse termo para se referir ao cuidado pessoal de Deus por ele mesmo durante a primeira parte de seu estado embrionário (desde a nidação até as primeiras semanas de vida), o estado antes do feto estar fisicamente "formado" numa miniatura de ser humano. Sabemos hoje que o embrião é "informe" durante apenas quatro ou cinco semanas. Em outras palavras, mesmo na fase de gestação da "substância ainda informe" (0-4 semanas), Deus diz que Ele se importa com a criança e a está moldando (Salmo 139.13-16).

Outros textos da Bíblia também indicam que Deus se relaciona com o feto como pessoa. Jó 31.15 diz: "Aquele que me formou no ventre materno, não os fez também a eles? Ou não é o mesmo que nos formou na madre?"

Em Jó 10.8,11 lemos: "As tuas mãos me plasmaram e me aperfeiçoaram... De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste".

O Salmo 78.5-6 revela o cuidado de Deus com os "filhos que ainda hão de nascer".

O Salmo 139.13-16 afirma: "Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste... Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe".

Esses textos bíblicos revelam os pronomes pessoais que são utilizados para descrever o relacionamento entre Deus e os que estão no ventre materno.

Esses versículos e outros (Jeremias 1.5; Gálatas 1.15, 16; Isaías 49.1,5) demonstram que Deus enxerga os que ainda não nasceram e se encontram no ventre materno como pessoas. Não há outra conclusão possível. Precisamos concordar com o teólogo John Frame: "Não há nada nas Escrituras que possa sugerir, ainda que remotamente, que uma criança ainda não nascida seja qualquer coisa menos que uma pessoa humana, a partir do momento da concepção".[1]

À luz do acima exposto, precisamos concluir que esses textos das Escrituras demonstram que a vida humana pertence a Deus, e não a nós, e que, por isso, proíbem o aborto. A Bíblia ensina que, em última análise, as pessoas pertencem a Deus porque todos os homens foram criados por Ele.

A prática do aborto sempre foi e continuará a ser condenada pela Igreja Cristã na figura de suas denominações sérias e verdadeiras, comprometidas com a Bíblia Sagrada e suas doutrinas, doutrinas que são imutáveis, não vulneráveis ao tempo e aos costumes de regiões! Esse repúdio não parte apenas de fundamentos bíblicos (aonde se tem inumeráveis contra a prática do aborto), mas também da boa ética e moral, tanto médicas quanto jurídicas. A imoralidade e promiscuidade que tomam conta do Brasil e do mundo não podem vitimar inocentes que não pediram para serem gerados!

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POLÊMICAS

(Tópico escrito por Afonso Martins em 1995)

“Jesus, porém, disse: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens” (Mt 16.23).

Temos visto inúmeros escândalos que deturpam e envergonha o nome do Senhor Jesus, é claro que os servos de DEUS são perseguidos e injuriados, mas seria ridículo usar desta desculpa para encobrir os escândalos. No Congresso Nacional surgiu o pedido de CPI para investigar como a “IURD” se enriqueceu. Estima-se que seu faturamento gira em torno de 800 milhões de dólares, são comparados a uma empresa de grande porte como Pirelli e Alcoa (Veja - Ano 28/N 43). O ex-pastor Carlos Magno, afirmou que chegou a receber cerca de 40 mil dólares por mês por bonificações geradas pelas igrejas de sua responsabilidade, e podem receber algo em torno de R$ 5 mil por mês, mais percentual de acordo com o crescimento das ofertas. E aqueles que conseguem aumentar a arrecadação utilizando-se de várias campanhas, passam a ter seu trabalho recompensado também com aparições em programas de Rádio e TV (Vinde - Ano 3/n33). Tudo isto nos dá a entender que, para se crescer como pastor nesta denominação tem que se produzir, mas produzir o quê? Ovelhas? Não!, dinheiro mesmo, e muito dinheiro ! O ex-pastor Mário Justino, desta Igreja, recebeu asilo político do governo dos EUA, ao declarar-se ameaçado pela cúpula da denominação, ele escreveu o livro NOS BASTIDORES DO REINO fazendo graves denuncias contra líderes desta Igreja, inclusive escândalos sexuais e desvios de recursos oriundos das ofertas dos fiéis (Vinde).

Você já notou como eles têm o poder de abafar aqueles que saíram do seu reino? Onde se encontram hoje o bispo Renato Suet, o bispo Ronaldo Didini, e muitos outros que deixaram aquele reino. E o escândalo do chute na imagem da Aparecida? E muitos outros escândalos que dia a dia surgem e atrapalham aqueles que querem fazer a obra com sinceridade.

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FINALIZAÇÃO

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt.7.21-23)

Assim, agora, dirijo-me às suas mentes, para que coloquem-na para funcionar e meditem com honestidade e atenção sobre todo o material deste breve estudo, a fim de que conheçam mais esse movimento heterodoxo e sectário.

Não é de estarrecer que um homem que se diga enviado de Deus pregue a matança de crianças pelo egoísmo materialista de seus pais? Sim, Este homem é o Bispo Edir Macedo, que agindo em favor da liberalização do aborto subverte o mandamento de Deus(cf. Dt 5.17) e reputa por nada os ensinos do cristianismo. No sentido teológico da palavra, ele não passa de um homicida!

Que Deus nos abençoe e nos livre dos lobos devoradores.

 

Igreja Universal - Uma análise comparativa de sua prática e fé

RELATÓRIO DA COMISSÃO PERMANENTE DE DOUTRINA DA IPB SOBRE A IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS



Obs: Este relatório foi elaborado pela Igreja Presbiteriana do Brasil visando o esclarecimento de seus membros referente à fé e prática da IURD. Sendo de cunho totalmente restrito ao modus vivendi da IPB, em muitos pontos não reflete necessariamente a opinião do ministério CACP. Todavia, é um estudo muito útil no que tange a mostrar o perfil da IURD.



Preâmbulo

Atendendo a determinação do CE-SCIPB, a Comissão Permanente de Doutrina da IPB elaborou o presente documento, com vistas ao esclarecimento de algumas questões afetas ao relacionamento da IPB com a Igreja Universal do Reino de Deus.

O presente documento foi escrito com vistas a ser examinado pela Comissão Executiva, em sua reunião de Março de 1997. Em caso de uma divulgação posterior e mais ampla do mesmo, a Comissão Permanente de Doutrina recomenda uma edição da sua linguagem, considerando haver nele termos teológicos que são possivelmente desconhecidos dos membros das nossas igrejas.

Queira Deus usar o trabalho da Comissão Permanente de Doutrina para instruir e fortalecer Seu povo na verdadeira fé evangélica.

São Paulo, Março de 1997

A Comissão Permanente de Doutrina da Igreja Presbiteriana do Brasil


Participaram da elaboração deste documento

Titulares

Rev. Héber Carlos de Campos, Th.D.

Rev. Antônio Carlos Barro, Ph.D.

Rev. Augustus Nicodemus Lopes, Ph.D.

Suplentes

Pb. Francisco Solano Portela Neto, Th.M.

Rev. Mauro Fernando Meister, Ph.D

Rev. Paulo José Benício, Th.M.

INTRODUÇÃO

Um dos fenômenos ocorridos na América Latina, e que tem chamado a atenção dos estudiosos no mundo todo, é o surgimento nas últimas duas décadas de novas igrejas pentecostais enfatizando a teologia da prosperidade e os ministérios de "libertação". Denominações inteiras têm surgido, e o crescimento do movimento, por vezes chamado de "neopentecostal", não mostra sinais de esmorecimento. Entre as que têm chamado a atenção mundial destaca-se a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), surgida em 1977 sob a liderança de Edir Macedo, que por sua vez, havia pertencido a outra denominação neopentecostal, Nova Vida, no Rio de Janeiro.

O crescimento rápido da IURD colocou em evidência suas práticas ministeriais e litúrgicas controvertidas, bem como seus ensinos polêmicos, levantando questões de cunho teológico e prático entre as denominações evangélicas históricas, organizações religiosas, e mesmo a imprensa secular.

O número de brasileiros que professa pertencer à IURD é de mais de três milhões. Não poucos destes, após abandonarem a IURD por motivos vários, têm procurado ingressar nas igrejas históricas, entre elas, igrejas presbiterianas. Esse fato tem criado problemas de ordem doutrinária e prática para os conselhos dessas igrejas.

A teologia e a praxis iurdiana, divulgadas profusamente através da mídia, têm trazido confusão a membros de igrejas presbiterianas, requerendo esclarecimentos por parte de sua liderança. É necessário que concílios da Igreja Presbiteriana sejam orientados quanto ao correto proceder no que se refere ao relacionamento com a IURD.


Método de Trabalho

A pergunta central, da qual dependem as respostas para os problemas acima, e outros ainda, é: podemos considerar a IURD como parte da Igreja de Cristo neste mundo? Para responder a esta pergunta faz-se necessária a adoção de critérios claros que, segundo o nosso entendimento, estão expressos nas Escrituras como interpretados na Confissão de Fé de Westminster (CFW), em seu capítulo sobre a Igreja (capítulo 25). Assim, nossa abordagem será teológico-comparativa e não sociológica. Já existem estudos que procuram entender e avaliar a IURD do ponto de vista sociológico. Em nosso estudo comparativo analisaremos a IURD tanto em termos da sua credenda quanto da sua agenda. Ou seja, procuraremos responder à pergunta inicial abordando o que a IURD crê, e o que ela faz.

Fontes utilizadas neste estudo

Uma das maiores dificuldades em um estudo comparativo de teologia é exatamente achar as fontes primárias adequadas. A IURD não tem uma confissão de fé explícita e escrita. Obviamente, ela tem uma confissão de fé implícita, que é refletida nos escritos de seus líderes, nos artigos da Folha Universal (publicação oficial da denominação), nas palavras dos bispos e pastores nos programas de televisão e rádio assim como em reportagens e entrevistas a periódicos seculares. São estas fontes que usamos para reconstruir a credenda e a agenda da IURD. Mesmo assim, confessamos que, por vezes, é difícil afirmar com exatidão o que a IURD crê sobre um determinado aspecto ou prática, visto existirem informações conflitantes ou destoantes nessas fontes.

Uma outra dificuldade para se conhecer a credenda iurdiana é a aversão que Edir Macedo (fundador e lider maior da IURD) tem pelo que entende ser "teologia". Em seu livro A Libertação da Teologia, ele procura desmoralizar todas as tentativas feitas pela Igreja Cristã, ao longo da sua existência, de compreender logicamente e sistematizar o ensino cristão como encontrado nas Escrituras. Afirma Macedo:

Todas as formas e todos os ramos da teologia são fúteis. Não passam de emaranhados de idéias que nada dizem ao inculto; confundem os simples, e iludem os sábios. Nada acrescentam à fé.

Mais especificamente, Macedo investe contra a sistematização teológica feita pelos protestantes históricos:

Criou-se uma TEOLOGIA PROTESTANTE, defendida ardorosamente pelos egoístas que usam o apelido farisaico de "conservadores" e quem, em algum ponto doutrinário desta "TEOLOGIA", subtrai, acrescenta ou destoa, e recebe, com a mesma veemência do clero católico romano, o selo de herege, anticristo, ou falso profeta.

Num ambiente onde a formulação teológica é desprezada, é evidente que não há qualquer estímulo para que se sistematize e organize de forma lógica ou coerente aquilo que se crê. A ojeriza de Macedo, bem como a dos demais líderes da IURD, pela formulação teológica sistemática, tem deixado as portas abertas para a confusão, a incerteza, e a contradição que marcam suas fontes. Um exemplo da confusão teológica de Macedo é a dicotomia entre a Lei e o Evangelho, em que ele parece afirmar que a Escritura ensina dois caminhos de salvação, um pela Lei e outro pelo Evangelho. Outro exemplo: enquanto parece crer na condenação eterna dos ímpios, afirma no mesmo fôlego que "... todos os homens são de um mesmo sangue, e se destinam todos à eternidade em um Reino celeste".

Macedo, obviamente, vê a IURD como parte de um pequeno setor da Igreja onde a "libertação" da teologia está ocorrendo. Seu livro A Libertação da Teologia, entretanto, demonstra que essa libertação ainda não ocorreu de fato: Macedo tem claramente seus próprios pressupostos, a sua própria teologia e seu sistema de pensamento. Este livro, eivado de erros históricos, exegéticos e teológicos, longe de demonstrar que a teologia é realmente perniciosa e desnecessária, demonstra como a falta do verdadeiro conhecimento dela produz homens arrogantes que pretendem possuir a "verdade" que permanecera oculta através dos séculos — um sinal característico de seita.

Considerando as fontes disponíveis usaremos os seguintes passos na confecção do documento: descrição dos pontos comuns da IURD com a fé cristã, seus desvios e a sua conseqüente descaracterização.

A IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS COMO IGREJA CRISTÃ

A IURD tem desenvolvido grande esforço para ganhar reconhecimento, junto aos evangélicos e ao público em geral, de que é uma igreja evangélica. Em nota publicada em jornal secular de grande divulgação, por ocasião da controvérsia com a Associação Evangélica Brasileira (AEVB), ela insistiu ser uma igreja genuinamente evangélica. Diz a publicação da IURD:

Como saber se uma entidade é evangélica ou não? Pelos ensinamentos comuns a todas as igrejas evangélicas, tais quais:

As Igrejas Evangélicas crêem num Deus Trino. A Igreja Universal do Reino de Deus também.

As Igrejas Evangélicas crêem no céu, no inferno e no julgamento final. A Igreja Universal do Reino de Deus também.

As Igrejas Evangélicas crêem na Bíblia como única e inerrante palavra de Deus. A Igreja Universal do Reino de Deus também.

As Igrejas Evangélicas arrecadam contribuições financeiras somente através dos dízimos e ofertas. A Igreja Universal do Reino de Deus também.

Estas são doutrinas comuns às Igrejas Evangélicas; portanto, podemos concluir com toda certeza que a Igreja Universal do Reino de Deus é uma igreja genuinamente evangélica, não sendo antibíblica em sua orientação doutrinária.

A Comissão Permanente de Doutrina reconhece que, de fato, há nas fontes da IURD o uso de terminologia tipicamente cristã. Percebe também a presença de alguns elementos doutrinários do cristianismo histórico. Essas coisas, contudo, não a legitimam necessariamente como igreja genuinamente cristã, visto que seitas não evangélicas costumam usar de terminologia cristã em seus ensinos, e afirmar doutrinas em comum com os evangélicos.

Pontos em comum com a fé cristã

Considerando-se o ensino básico da fé cristã, a IURD crê, em linhas gerais, como as tradições protestante e católica, nesses pontos: na Trindade, na divindade e humanidade do Senhor Jesus Cristo, no pecado e na necessidade da salvação, na ressurreição dos mortos, na vida eterna, na segunda vinda de Cristo, e no juízo final. Esses pontos são afirmados nas fontes consultadas.


Pontos em comum com o protestantismo histórico

Em comum com os protestantes históricos, a IURD professa crer na salvação unicamente através de Cristo, nas Escrituras Sagradas como a única fonte de autoridade, que Jesus Cristo é o único fundamento e cabeça da Igreja, na rebelião e queda de Adão e Eva como causa fundamental da miséria humana, na necessidade de santidade por parte dos cristãos, na comunhão pessoal com Deus através da oração.

A linguagem usada pelos protestantes históricos para referir-se a estes pontos está presente no ensino da IURD, embora nem sempre com o mesmo conteúdo. Isto é verdade especialmente no seu entendimento do conceito de salvação. No conceito iurdiano, salvação praticamente se identifica com libertação de males particulares, enquanto que conceitos bíblico-reformados como justificação, propiciação, expiação, e reconciliação com Deus estão, via de regra, ausentes, tanto na pregação quanto na praxis religiosa deles.

Transparece do livro de J. Cabral, Religiões, Seitas e Heresias, publicação oficial da IURD, que a IURD se considera como igreja evangélica. Nessa obra, Cabral ataca praticamente todas as religiões, organizações, movimentos, e seitas normalmente rejeitadas pelos protestantes como sendo falsos: astrologia, hinduísmo, budismo, confucionismo, catolicismo romano, xintoísmo, taoísmo, islamismo, rosacrucianismo, maçonaria, espiritismo, vodu, bahaísmo, mormonismo, adventismo do sétimo dia, testemunhas de Jeová, russelismo, ciência cristã, teosofia, Perfect Liberty, Igreja Messiânica Mundial, Seicho-no-Ie, Hare Krishna, Meninos de Deus, a Igreja da Unificação e "seitas do Espírito Santo". Distanciando-se destas manifestações religiosas, a IURD procura alinhar-se com os evangélicos.

Embora o livro de J. Cabral seja bastante abrangente quanto às religiões falsas, a IURD tem demonstrado que sua luta no Brasil é realmente contra a Igreja Católica e o espiritismo. E na denúncia da idolatria, tomados de zelo sem entendimento, alguns obreiros da IURD revelam falta de sabedoria em seus ataques, como no famoso episódio do "chute na santa". Também é verdade que, ao fim, terminam por adotar a nomenclatura e algumas das práticas espíritas. Entretanto, a condenação da idolatria e do espiritismo, comum às igrejas protestantes históricas no passado, tem sido retomada em alguma medida pela IURD.

Ainda em comum com as igrejas protestantes históricas, a IURD é crítica com relação a algumas práticas pentecostais, como por exemplo, o conceito pentecostal de profecia, as reações físicas no contexto do batismo com o Espírito Santo (como quedas, tremores, etc.); a IURD critica ainda o movimento católico carismático, e o falar línguas estranhas como praticado em alguns segmentos pentecostais.

É preciso observar que Macedo critica duramente os Reformadores e os que criaram uma "teologia protestante"; possivelmente, Macedo não consideraria a IURD como uma igreja protestante.

Pontos em comum com os pentecostais

Macedo parece considerar a IURD como sendo, além de evangélica, uma igreja pentecostal, ao inclui-la entre os 70% dos evangélicos que assim se denominam. A IURD tem crenças e práticas que a aproximam das igrejas pentecostais. Afinal, Edir Macedo foi membro de igreja pentecostal antes de iniciar a IURD em 1977. Macedo trouxe daí a crença no batismo com o Espírito Santo como uma segunda bênção, a prática das línguas, a cura divina, e particularmente a cosmologia pentecostal, que percebe o mal no mundo como resultado da atuação direta dos demônios.

Ainda em comum com alguns segmentos pentecostais, Macedo nutre profundo desprezo pela teologia. Ele acusa os Pais da Igreja, os Reformadores, e os teólogos em geral, de terem desviado a Igreja do rumo certo, causando divisões e separação entre cristãos:

Quem desviou o cristianismo dos seus princípios nos primeiros séculos? Acaso não foram os teólogos? Foram eles também quem causaram a reforma protestante e que criaram as grandes divisões do "cristianismo restaurado" que deram origem às denominações evangélicas que hoje existem.

Pontos em comum com igrejas de libertação (neopentecostais)

Em vários aspectos a IURD deve ser considerada como uma igreja neopentecostal, cuja prática se aproxima de igrejas como Deus é Amor. Essas igrejas, além das crenças e práticas pentecostais, giram particularmente em torno da teologia da prosperidade, dos ministérios de libertar pessoas oprimidas por demônios e da utilização de objetos "ungidos" nos cultos

A estrutura eclesiástica da IURD é também semelhante a das igrejas de libertação. Estas, geralmente organizam-se em torno da figura do fundador. Macedo é o chefe máximo da IURD, embora figure como apenas mais um "bispo" na sua estrutura. Abaixo de Macedo vem um "conselho episcopal mundial" (22 bispos), ao qual estão submissos os "lideres estaduais" (22 bispos ou pastores), que por sua vez comandam os "pastores" (cerca de 7.000 em Janeiro de 1996). A centralização do poder eclesiástico na figura do fundador é característico das seitas neopentecostais surgidas nas últimas décadas, nas quais a IURD se encaixa.

Por causa de elementos na pregação e na prática da IURD, que são comuns aos protestantes em geral, e mesmo a outras igrejas pentecostais, cremos que os eleitos presentes nas igrejas da IURD têm sido chamados à fé, através da atuação do Espírito pela pregação do Evangelho; dessa forma, há nas igrejas da IURD os que professam abertamente que crêem em Jesus Cristo como único Salvador, e mediador entre Deus e os homens, e abraçam sinceramente a verdadeira religião.

Levando em conta isoladamente ensinos e práticas genericamente presentes na IURD, pode-se considerá-la como sendo uma igreja cristã, protestante, pentecostal, caracteristicamente neopentecostal. Isso, entretanto, não lhe assegura necessariamente o status de parte da igreja visível de Cristo, já que estão igualmente presentes na sua doutrina e na sua prática elementos estranhos ao ensino bíblico do Cristianismo histórico.

Nos pontos seguintes, a Comissão Permanente de Doutrina expõe o que considera questionável na credenda (sua expressão de fé) e agenda (a expressão prática da fé) da IURD, à luz do ensino bíblico, conforme entendido pela CFW.


O ENSINO DA CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER

Considerando que somos uma igreja confessional, é necessário que examinemos o assunto a partir dos símbolos de fé da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), que cremos serem a melhor interpretação das Escrituras.

Diz a CFW no capítulo sobre a Igreja (25:1-5):

A Igreja Católica ou Universal, que é invisível, consta do número total dos eleitos que já foram, dos que agora são, e dos que ainda serão, reunidos em um só corpo sob Cristo, seu Cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as coisas.

A Igreja Visível, que também é católica ou universal sob o Evangelho (não sendo restrita a uma nação como antes sob a Lei) consta de todos aqueles que, pelo mundo inteiro, professam a verdadeira religião, juntamente com seus filhos; é o Reino do Senhor Jesus, a casa e família de Deus, fora da qual não há possibilidade ordinária de salvação.

A esta Igreja Católica Visível Cristo deu o ministério, os oráculos e as ordenanças de Deus, para congregamento e aperfeiçoamento dos santos nesta vida, até o fim do mundo, e pela sua própria presença e pelo seu Espírito, os torna eficazes para este fim, segundo a sua promessa.

Esta Igreja Católica tem sido ora mais, ora menos, visível. As igrejas particulares, que são membros dela, são mais ou menos puras conforme neles é, com mais ou menos pureza, ensinado e abraçado o Evangelho, administradas as ordenanças e celebrado o culto público.

As igrejas mais puras debaixo do céu estão sujeitas à mistura e ao erro; algumas têm degenerado ao ponto de não serem mais igrejas de Cristo, mas sinagogas de Satanás; não obstante, haverá sempre sobre a terra uma igreja para adorar a Deus segundo a vontade dele mesmo.

Evidentemente, esse capítulo da CFW foi formulado num contexto histórico e teológico, separado temporalmente da nossa época por mais de 350 anos. Um exame mais acurado das questões teológicas que confrontaram os escritores da CFW no século XVII, revelará que são as mesmas com as quais a Igreja Cristã histórica hoje se defronta, face ao crescimento do movimento neopentecostal, e da difusão de suas crenças e práticas. A controvérsia então era soteriológica, cúltica, e eclesiológica (quanto ao governo da Igreja e seus sacramentos). Estes são problemas similares aos que devemos abordar hoje. Houve apenas uma mudança no nome dos seus proponentes.


ANÁLISE DA TEOLOGIA E PRAXIS DA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS

RAZÕES PELAS QUAIS A IURD DEVE SER CONSIDERADA COMO IGREJA "MENOS PURA"

Em que pesem as crenças que confessam em igualdade com as igrejas protestantes evangélicas, a IURD mantém crenças e práticas que, no geral, são estranhas a essas igrejas, e que a qualificam como uma das "igrejas menos puras", conforme as Escrituras como interpretadas pela CFW (25.4). Há muitas igrejas que podem ser qualificadas como "menos puras", inclusive muitas congregações locais de igrejas históricas (entre as quais a Presbiteriana), que têm seguido os mesmos princípios da IURD e de outros grupos neopentecostais.

A nosso ver, o grande problema das igrejas que qualificamos como "menos puras" têm a raiz desses problemas na sua hermenêutica. Todas têm as Escrituras como regra de fé e prática, mas o problema não está no texto, e sim na abordagem a ele. É este exatamente o problema da IURD.


A hermenêutica da IURD

A causa da maioria destas crenças e práticas impuras vem de uma hermenêutica deficiente praticada pela liderança da IURD. Citamos aqui o documento anterior da Comissão Permanente de Doutrina sobre interpretação das Escrituras Sagradas:

... é preocupante a forma como alguns vêm interpretando o texto sagrado, partindo de pressupostos da sua própria experiência impondo ao texto sentidos que claramente não fazem parte da intenção original do autor inspirado. Constitui-se prática perigosa atribuir ao Espírito Santo ensino que é produto de interpretação particular de um texto da Escritura, baseado em experiência pessoal, interpretação esta que nada tem a ver com o sentido do texto bíblico. A Igreja entende que na raiz de todas as atuais práticas prejudiciais em seu meio está um sistema de interpretação equivocado.

Interpretações individuais e isoladas que fogem do sentido óbvio e original do texto e que apelam para a autoridade da experiência individual para validar o entendimento das Escrituras devem, na verdade, ser rejeitadas. As Escrituras devem ser interpretadas por si mesmas, ou seja, uma passagem bíblica deve ser interpretada à luz de todas as partes, sem se desprezar a iluminação que o Espírito Santo vem concedendo à Igreja através dos séculos, que faz parte da tradição interpretativa acumulada até o presente. As Escrituras foram endereçadas à Igreja, e o Espírito que as inspirou foi dado ao Corpo de Cristo para que o iluminasse no entendimento delas. Assim, a Bíblia não é propriedade de um membro individual, mas da Igreja; portanto, a sua interpretação deve ser feita em consonância com a sabedoria da Igreja acumulada através dos séculos. Nenhum membro tem o direito de ter a sua própria interpretação particular das Escrituras — não foi este o direito que Lutero e os demais Reformadores recuperaram na Reforma.

Os que atribuem a sua compreensão individual das Escrituras ao Espírito, deveriam igualmente reconhecer e receber a compreensão que o mesmo Espírito concede aos demais membros da Igreja no decorrer da história. Esta é uma verdade incontestável: se as profecias das Escrituras não foram fruto da interpretação individual dos profetas, muito menos hoje pode-se aceitar interpretações particulares daquilo que já nos foi revelado nas mesmas Escrituras.

O método de interpretação das Escrituras utilizado por bispos e pastores da IURD consiste em geral numa atualização ou transposição das experiências religiosas de personagens bíblicas para os dias atuais. Isto ocorre em virtude do que entendem ser a Bíblia. Macedo não parece ver a Bíblia como a revelação proposicional de Deus, mas como um livro de experiências religiosas, que começa com Israel no Velho Testamento, e termina com a humanidade em Apocalipse, experiências estas que podem ser repetidas nos mesmos moldes, nos dias atuais.

Assim, a repetição ou re-encenação de episódios e eventos bíblicos é utilizada como ferramenta hermenêutica, que lhes permite usar as Escrituras como base da sua prática. Nesta tentativa de repetir os episódios bíblicos, existe uma grande dose de alegorização dos textos bíblicos, e total desrespeito pelo contexto histórico dos mesmos, bem como a falta de distinção entre o que é descritivo na Bíblia, e o que é normativo para as experiências dos cristãos.

Por exemplo, assim como Noé fez uma aliança com Deus, podemos nós também faze-la. Assim como Josué cercou as muralhas de Jericó e ao som das trombetas elas caíram, assim podemos "cercar" as muralhas das dificuldades e problemas e derrubá-las em nome de Jesus (usando uma trombeta de plástico e uma muralha de isopor). A vara que Moisés usou, o cajado de Jacó, os aventais de Paulo — todas estas coisas, e muitas outras tiradas das histórias bíblicas, se tornam tipos da utilização de apetrechos semelhantes, aos quais é atribuído (apesar de negações em contrário) algum valor espiritual na resolução dos problemas.

Concordamos com a avaliação de Leonildo S. Campos:

A ênfase nos símbolos, metáforas e alegorias levou a IURD a se distanciar do fundamentalismo e de sua leitura literal da Bíblia. Esse livro, central para protestantes e pentecostais tradicionais, ocupa um lugar secundário em toda dramatização iurdiana, justamente porque para a Igreja Universal a Bíblia é muito mais um depósito de símbolos, alegorias e cenas dramáticas ou até um amuleto para exorcizar demônios e curar enfermos do que a "palavra de Deus", encarada por outros grupos protestantes como "regra única de fé e prática" e para os fundamentalistas "regra infalível".

De acordo com a CFW, a pureza, ou não, de igrejas se mede pela pureza com a qual o Evangelho é pregado (o que inclui as doutrinas centrais do Cristianismo) e os sacramentos celebrados (o que aponta para a teologia prática das igrejas). Nos parágrafos abaixo, procuramos apontar os ensinos da IURD que ferem, ao nosso entender, a pura pregação da Palavra e a pura celebração dos sacramentos.


A doutrina da salvação

A IURD, à semelhança dos arminianos (evangélicos) e semi-pelagianos (entre os católicos), crê na doutrina da graça preveniente, ou seja, que existe uma capacidade latente nas pessoas, sem exceção, de crer na mensagem do Evangelho. Diz Macedo:

Em todos os seres humanos, quer religiosos ou não, existe no mais profundo de suas almas uma pequena chama de fé, a qual focalizada no Deus Vivo, certamente fará fluir uma vida sadia sob todos os aspectos. Essa pequena chama de fé é colocada pelo próprio Espírito Santo.

Nessa pressuposição básica, a IURD vai frontalmente de encontro ao ensino bíblico, expresso na CFW, da depravação total da natureza humana, e da sua incapacidade de crer, em seu estado natural, sem a atuação especial do Espírito Santo, que é sua obra regeneradora (cf. Gn 3.6-8; Rm 3.23; 5.12; 1 Co 15.21-22; Gl 5.17). Essa pressuposição leva Macedo a afirmar a capacidade humana de determinar a sua própria salvação, como transparece da citação abaixo: "Quem define a vida ou a morte eterna não é Deus, mas nós, quando fazemos a nossa própria opção!"

O conceito de salvação, entendido pela fé reformada, refere-se primariamente à salvação da culpa, poder e presença do pecado nas vidas dos eleitos, mediante a obra redentora de Cristo. Inclui a santificação e a ressurreição final. Aparentemente, na teologia iurdiana, o termo salvação é usado como sinônimo de libertação das drogas, dos problemas, das doenças e da opressão causada pelos demônios.

Macedo ensina que há dez passos a serem dados que levarão os sinceros ao caminho da salvação:

Aceitar de fato o Senhor Jesus como único Salvador;

Participar das reuniões de libertação da IURD;

Buscar o batismo com o Espírito Santo;

Andar em santidade;

Ler a Bíblia diariamente;

Evitar as más companhias;

Ser batizado;

Freqüentar reuniões de membros da IURD;

Ser fiel nos dízimos e nas ofertas;

Orar sem cessar e vigiar.

Não é claro se Macedo está ensinando que o perdão dos pecados e a reconciliação com Deus ocorrerão apenas após estes passos, ou durante os mesmos. Também não é claro se a aceitação de Cristo (passo 1) traz a salvação e perdão, enquanto que os demais passos estão relacionados com o crescimento cristão. Embora a aceitação de Cristo figure como o passo 1, Macedo orienta o leitor a não considerar a ordem dos passos.

Quase todos esses passos são definidos em relação à atuação dos demônios: o fiel deve freqüentar as reuniões de libertação para se ver livre do diabo; deve procurar o batismo com o Espírito Santo para escapar da habitação dos espíritos malignos. Andar em santidade significa ser libertado de Satanás e seus demônios e não ter qualquer ligação com eles. Deve ler a Bíblia para usá-la como arma eficaz no combate à Satanás. A freqüência às reuniões da IURD alimentará as almas dos fiéis com a palavra da verdade, a qual os arma contra as ciladas de Satanás.

É evidente do "plano de salvação" apresentado por Macedo sua convicção de que o ser humano pode colaborar para a sua salvação. A bem da verdade, diga-se que Macedo nega a possibilidade da salvação pelo cumprimento da Lei, e considera como legalistas aquelas igrejas que insistem na guarda da Lei para salvação (como os Sabatistas). Entretanto, Macedo tem substituído as obras da Lei por obras evangélicas — em última análise, a salvação do ser humano depende da observância destes preceitos:

Nossa experiência nos leva a crer que um dos pontos fundamentais para a libertação e salvação está no fato da pessoa se desligar totalmente das companhias que não professam a mesma fé ... este item é de suma importância para a salvação de alguém.

Afirma Macedo a necessidade categórica de se freqüentar as reuniões da IURD para "uma libertação completa". Segundo ele, o próprio Deus ficará sem poder atender as orações, caso o fiel não especifique o que deseja.

Não somente a salvação vem através do esforço humano, mas a própria manutenção desta salvação:

Procure amizade com pessoas que tenham a mesma fé e evite a todo custo conversas, discussões ou contatos que possam colocar em jogo a sua salvação.

Se a salvação e a manutenção da mesma dependem do esforço humano, não é de admirar-se que no ensino da IURD encontremos indicações de que aceitam a possibilidade da perda da salvação por parte de um crente verdadeiro. Em seu livro Apocalipse Hoje Macedo parece sugerir esta possibilidade:

É muito comum ao ser humano abraçar a fé em Jesus, de todo coração, de todas as suas forças, recebendo em resposta do Senhor a plenitude do Espírito Santo, e por desleixo, ir cedendo aos apelos da carne, do orgulho pessoal e da simpatia para com este mundo ... sua vida acabará por encontrar o deserto espiritual... É ai onde estão os perigos espirituais, vindo a advertência de Hebreus 6.4-6...

Ao citar Hebreus 6.4-6 em conexão com a decadência espiritual de alguém que teve uma verdadeira experiência com Cristo, Macedo parece sugerir que o verdadeiro cristão pode vir a decair definitivamente do estado de graça inicial. A mesma idéia está presente em sua mensagem "Encontro com Jesus", onde ele afirma:

Mas aqueles que conheceram Jesus, tiveram um encontro [com ele], experimentaram um dom espiritual, o dom glorioso de Deus, tiveram a presença d’Ele ou um encontro verdadeiro com Deus, e hoje estão vivendo como vivem os gentios. Para esses é muito pior. A Bíblia diz que é impossível outra vez renová-los, porque estão crucificando Jesus para si mesmos; aliás, em Hebreus 6.4-6 diz assim...

Nota-se também, no "plano de salvação" da IURD, a ausência de pontos cruciais como regeneração, justificação, perdão dos pecados, adoção, reconciliação com Deus e perseverança dos santos. Salvação é vista primariamente em termos horizontais, no que concerne a vida do homem na terra, enquanto que os aspectos verticais são, via de regra, ignorados.


Batismo com o Espírito Santo e as línguas

O ensino da IURD é bastante confuso quanto à doutrina do batismo com o Espírito Santo, à semelhança de outros grupos neopentecostais. Inicialmente, existe uma confusão na terminologia, onde termos como "batismo com o Espírito Santo", "selo do Espírito Santo", "plenitude do Espírito Santo" são usados alternativamente para uma mesma experiência ocorrida após a conversão.

No geral, seguem o ensino pentecostal clássico acerca do batismo com o Espírito Santo: é visto como uma experiência de crise, a qual deve ser buscada, utilizando-se os meios apropriados que induzem ao estado emocional necessário. Os passos que um candidato ao batismo com o Espírito deve dar são estes, em resumo: 1) libertação de demônios presentes no seu corpo; 2) perdoar quem o feriu; 3) não andar na mentira; 4) não deixar que seus pensamentos se envolvam com as coisas deste mundo; 5) confessar a Deus tudo que o acusa diante de Deus; 6) desligamento das preocupações; 7) louvar a Deus em voz audível; 8) não interromper este louvor com pedidos de cura ou libertação; 9) não se deixar distrair por barulhos ou coceira, mas continuar louvando cada vez mais forte; se estes passos forem seguidos, o candidato sentirá grande alegria e passará a falar em línguas, como sinal de que foi batizado e selado com o Espírito Santo.

Para Macedo, o batismo com o Espírito Santo habilita o cristão a ser participante da natureza do próprio Jesus.

O falar em línguas é entendido como evidência necessária do batismo com o Espírito Santo. Diz Macedo: "O que acontece de fato, é que quando alguém é batizado com o Espírito Santo, recebe logo, o dom de línguas, como uma evidência de seu batismo". Entretanto, contradiz-se na mesma obra, ao afirmar: "Embora a Bíblia não ensine que para receber o batismo com o Espírito Santo a pessoa precise falar em línguas estranhas..." A mesma incerteza e confusão se percebe nos escritos do teólogo principal da IURD, J. Cabral:

Tanto o batismo com o Espírito Santo, como o falar em línguas desconhecidas, como evidência ou não do batismo, são bíblicos... Não vamos entrar no mérito da questão para explicar se as manifestações são válidas ou não para os nossos dias, ou se as interpretações corretas dos textos citados [Atos 2.10, 46; 19.6; 1 Co 12.14] são as desse ou daquele grupo. Isso é muito mais uma questão de fé do que de discussão teológica dada a natureza do assunto.

A orientação de Macedo ao que deseja falar em línguas (ser batizado com o Espírito) inclui relaxamento dos lábios, pronunciar intencionalmente palavras sem sentido que estão "no coração", e respiração funda. Para Macedo, as línguas estranhas têm como alvo "chamar a atenção do próprio Deus", e têm um efeito "purificador, elevador, e até transformador, e isso beneficia a pessoa envolvida". Também, servem para autenticar a fé dos que falam.

O ensino da IURD sobre o batismo com o Espírito Santo e as línguas contém as mesmas deficiências do ensino pentecostal clássico sobre o assunto. O ensino bíblico, conforme entendido pela Comissão Permanente de Doutrina e publicado na sua Carta Pastoral, é que:

A Escritura ensina que a experiência normal do batismo com o Espírito Santo coincide com a regeneração-conversão, e que são selados por este mesmo Espírito todos os que crêem genuinamente em Cristo Jesus (Tt 3.5; At 2.38; Rm 5.5; 8.9; 1 Co 12.13. Ver At 11.17; 19.2, e ainda Ef 1.13-14; 2 Co 1.22; Ef 4.30).

A Escritura dirige-se a todos os que já são crentes como tendo já sido batizados com o Espírito. Em nenhum lugar ela encoraja os que já são crentes a buscar esse batismo, quer por preceito, quer por exemplo.

Em nenhum lugar do Novo Testamento as línguas são mencionadas como a evidência normal do batismo com o Espírito Santo, ou da Sua plenitude, para os crentes, após o Pentecoste. A evidência inconfundível da plenitude espiritual, segundo Paulo, é o fruto do Espírito (Gl 5.22-23). Portanto, o falar em línguas não deve ser considerado como a evidência de nenhuma destas duas experiências.


Cura Divina

Macedo entende que as doenças são resultado direto da operação de espíritos malignos. A epilepsia, a AIDS, e tumores malignos, por exemplo, são encaradas como sendo causadas por essas entidades. Macedo vê a atuação dos espíritos especialmente nas doenças mais difíceis de sarar:

Há pessoas que têm feridas nas pernas que não cicatrizam nunca. Por que? Aquilo é um espírito que está alojado ali. Aquilo é um espírito. Aqueles que têm dor de cabeça constante, daquelas que não há médico que descubra a causa... pois bem, isso é o espírito.

Partindo desses pressupostos, entende-se porque na IURD a cura de doenças é buscada através da expulsão dos espíritos supostamente causadores das mesmas. A cura divina é vista por Macedo como inerente nas feridas de Jesus e direito de todo crente, que não dever buscar, mas reconhecer e receber. Segundo Macedo, a cura de uma enfermidade é sempre a vontade de Deus.

Em decorrência das pressuposições acima, Macedo conclui:

A cura divina é um direito adquirido através do Senhor Jesus Cristo; não é uma questão de fé, mas simplesmente de aceitação por parte do doente do sacrifício realizado pelo Senhor na cruz do Calvário, isto é, pelas Suas pisaduras fomos sarados (Isaías 53.5). Quer dizer que "já" fomos sarados e não temos necessidade de ficar pedindo uma coisa que já nos foi concedida.

Essa declaração surpreendente de Macedo, de que não há necessidade de se pedir a cura, contradiz a prática de pastores e obreiros da IURD em seus templos, onde a busca da libertação das moléstias físicas é um dos pontos centrais da liturgia.

Macedo também centraliza o poder de realizar curas na pessoa do pastor, ao dizer que:

O dom de curar é concedido ao pastor, afim de que ele possa "exercer" o ministério de cura para aqueles que estão incapacitados de crer por não poderem ouvir a Palavra de Deus, devido à surdez ou por causa de tantos outros fatores que os impeçam de assimilar seus direitos diante de Deus.

Tal declaração vai de encontro ao ensino bíblico quanto aos dons espirituais, e aparentemente, tem como alvo evitar que o poder de curar seja exercido por outros que não os líderes da IURD.


Dons de milagres

Macedo acredita na contemporaneidade do dom de milagres, e mais especificamente, que este dom se manifesta na IURD, "que sobrevive exclusivamente pelas operações de maravilhas realizadas pelo Espírito Santo, através de seus servos". Essa abordagem justifica, no pensamento da IURD, a centralidade dos milagres em sua liturgia, já que, também, para Macedo, "todos os demais dons do Espírito Santo estão incluídos neste dom [de operar milagres]".

Macedo corretamente dá como exemplos de milagres os grandes eventos bíblicos como a travessia do Mar Vermelho, a queda das muralhas de Jericó, a água da rocha em Refidim, as águas do Jordão partidas ao meio, o sol e a lua detidos, Elias faz descer fogo do céu, a água transformada em vinho, a tempestade acalmada, Jesus andando sobre as águas, etc. Em seguida, afirma: "Um grande exemplo deste dom [de milagres] realizado atualmente é o caso da Igreja Universal do Reino de Deus." Existe, porém, uma discrepância radical entre os milagres bíblicos mencionados por Macedo, e os "milagres" da IURD, para que se possa concluir que o dom de milagres mencionado nas Escrituras esteja em operação ali.

As crenças e práticas da IURD examinadas aqui são suficientes para que vejamos que se trata de uma igreja onde tem havido grande mistura de verdade e erro, tornando-a uma "igreja menos pura".

RAZÕES PELAS QUAIS A IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS PODE SER CONSIDERADA COMO UMA IGREJA QUE TEM SE DESCARACTERIZADO

O uso da terminologia cristã, bem como a profissão de fé em doutrinas comuns aos evangélicos, seriam suficientes para qualificar a IURD como uma igreja dentro da tradição cristã. Os seus ensinos e práticas examinados acima, contudo, poderiam nos levar a considerá-la como uma igreja "menos pura". Na verdade, existem elementos na credenda e agenda da IURD que mesmo a qualificam como igreja que tem se descaracterizado (conforme CFW, "se tem degenerado"), como passamos a expor.


Cosmovisão

Entendemos que a raiz das crenças e práticas da IURD que são contrárias ao Evangelho é a sua cosmovisão, isto é, sua maneira pela qual percebe e entende o mundo ao seu redor. Esta cosmovisão, por sua vez, é fruto de sua hermenêutica falha, como já exposto em 4.1.1.

A cosmovisão da IURD é a de um mundo povoado de demônios e anjos maus, que estão procurando achar as mínimas brechas para se apossarem das vidas das pessoas (crentes e descrentes). Macedo, por exemplo, atribui à atividade demoníaca a destruição dos lares e do casamento, a prostituição, o homossexualismo, as enfermidades como epilepsia, AIDS, e feridas incicatrizáveis. Afirma Macedo que "toda sorte de miséria e desgraça, até o desemprego, é sintoma da ação do diabo".

O ensino bíblico é claro, que Satanás ronda os crentes como leão faminto, e que seus demônios procuram, sempre que possível, nos assaltar, tentar, afligir, e nos levar ao pecado. Biblicamente, porém, espíritos malignos não são a única explicação para os males que ocorrem no mundo. Aviões podem cair, furacões podem destruir, pessoas podem ficar doentes, tomar decisões erradas em suas vidas, estragar seus casamentos, sem que necessariamente haja demônios diretamente responsáveis por estas coisas. Vivemos num mundo decaído, que geme e suporta dores, debaixo do cativeiro da corrupção, por causa do pecado do ser humano (Rm 8.18-25). Além disto, Deus também intervém na existência humana em julgamento, trazendo, por vezes, desastres, sofrimento e dor, com o objetivo de trazer as pessoas ao arrependimento (Jr 5.3; Ap 9.20-21; 16.8-11). É uma distorção do ensino bíblico atribuir exclusivamente aos demônios os males que acometem a humanidade.

O modo pelo qual a IURD encara os males do mundo deságua inevitavelmente nos ministérios de "libertação", onde Satanás tem se tornado o centro. Não que o estejam adorando — certamente que não. Mas há tanta ênfase aos demônios, ao exorcismo, à libertação de males supostamente produzidos por demônios, que quase só falam, pregam, e escrevem sobre isso. As grandes e principais doutrinas das Escrituras são relegadas a plano secundário.

É claro que a cosmovisão da IURD assemelha-se mais à do antigo mundo pagão, do que à da cosmovisão bíblica. No paganismo grego, influenciado por Homero e pelas religiões de mistério oriundas da Mesopotâmia, Frígia, Egito e Síria, deuses e demônios infestavam o mundo, e o cotidiano; a vida e o destino das pessoas dependiam de seus relacionamentos com essas entidades.

Da forma como alguns líderes da IURD enfatizam e descrevem o poder de Satanás e de seus demônios, tem-se a impressão que, na prática, eles acreditam que estes espíritos têm poder quase igual ao de Deus, muito embora o neguem em seus discursos. Esse ressurgimento do dualismo dentro de círculos evangélicos faz parte do maciço retorno ao paganismo que caracteriza a sociedade ocidental moderna.

Existe assim o risco do retorno à Igreja do Maniqueísmo, uma heresia antiga, rejeitada pela Igreja no início da sua história, que ensinava que o mundo é regido pelo embate de duas forças cósmicas iguais, porém opostas entre si, o bem e o mal, um dualismo entre as forças das trevas e as forças da luz. A Igreja rejeitou e condenou as idéias do Maniqueísmo, pois são contrárias ao ensino bíblico de que Deus é o Senhor absoluto do universo, e que Satanás é apenas uma das suas criaturas, totalmente debaixo do seu controle.

Possessão de crentes

A forma em que o mundo é visto pelo líderes e pregadores da IURD, sua cosmovisão, dá lugar à crença na possessão de crentes por demônios. Este pensamento é claro no livro Orixás, Caboclos & Guias: Deuses ou Demônios no capítulo 15, "Crentes endemoninhados?" Macedo afirma claramente que o capítulo é fruto de sua observação:

Este capítulo não existira se eu não tivesse visto constantemente pessoas de várias denominações evangélicas caírem endemoninhadas, como se fossem macumbeiras, ao receberem a oração da fé.

Macedo não oferece nenhum texto bíblico argumento para comprovar tal doutrina. A sua observação de casos, como citado no parágrafo acima, é a base da sua crença (a agenda determina a credenda). Segundo ele é um estado e não uma condição. Este estado depende do homem cristão e do que ele faz com sua vida com relação ao pecado, ou seja, o crente pode estar num estado de vida em que a proteção divina contra as investidas do diabo é suficiente para evitar a sua possessão. Nesse caso, diz Macedo "não há lugar para nenhum demônio em seu corpo ou em sua mente. Isso, entretanto, é um estado e não uma condição." Dependendo de sua conduta, entretanto, este estado é alterado e o crente abre as portas para a possessão. O caráter definitivo da obra de Cristo e do Espírito Santo na vida do cristão são completamente ignorados. Dentro desta perspectiva a obra de Cristo tem caráter provisório, não definitivo, e deixa o pecador resgatado sujeito à sua própria vontade e sujeito, em última instância, a toda investida de Satanás, inclusive a possessão. Para Macedo, até mesmo o crente que foi batizado com o Espírito Santo (segundo o conceito pentecostal de batismo com o Espírito Santo como uma segunda bênção) pode sair deste estado e vir a ser possessa.


Maldições hereditárias

Como parte de sua cosmovisão, a IURD ensina o que ficou conhecido como "maldições hereditárias", ou seja, a idéia de que existem espíritos familiares que acompanham as gerações de uma família, causando-lhes sempre os mesmos males e infortúnios. Afirma Macedo:

Existe um espírito que só atua na destruição do lar. É o chamado espírito familiar. Você pode verificar isso a partir das etapas que o casal enfrenta na vida. Esse espírito normalmente vem dos pais. Se eles são divorciados, o mesmo espírito que destruiu o lar dos pais vai tentar o lar dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Isso é uma herança maldita... [o espírito familiar] passa de pai para filho por todas as gerações, até que a pessoa tenha um encontro com Jesus. Aí, corta-se a maldição.

Embora possamos concordar com Macedo que "um encontro com Jesus" (entendido como conversão) quebre todas as maldições que pesavam sobre a cabeça de um pecador, rejeitamos a idéia de que hajam espíritos que se transmitam de pais para filhos; além disto, maldições (como a justa retribuição dos pecados) são impostas por Deus, e não por demônios. Jesus Cristo pode removê-las pois foi feito "maldição" em nosso lugar (Gl 3.13).


Ceia do Senhor

A IURD ensina uma doutrina estranha quanto à Ceia do Senhor. De acordo com Macedo,

[a carne de Cristo] atraiu todas as nossas doenças e enfermidades. Conseqüentemente, nós não mais precisamos ficar doentes. Satanás não tem mais direito de exercer domínio sobre nosso corpo físico, porque este tem a natureza do Senhor Jesus, pela fé, na participação do pão da Santa Ceia.

Macedo ainda afirma que, na Ceia, Cristo confere a sua própria saúde física ao que participa do pão pela fé:

Quando o Senhor Jesus determinou que o pão abençoado e partido para os Seus discípulos era o Seu corpo, estava mostrando o real sentido da Sua vida física, isto é, Seu vigor e Sua saúde, partidos em favor de todos que O aceitam, tal qual Salvador, afim de que venham as ser participantes de Sua própria natureza, gozando de Sua saúde física.

Macedo conclui que assim como o corpo de Jesus dá saúde física, seu sangue dá saúde espiritual. Ele afirma:

Podemos considerar que, da mesma forma pela qual o corpo do Senhor Jesus, simbolizado pelo pão, nos dá a total saúde física, também o seu sangue, simbolizado pelo vinho, nos dá a saúde espiritual.

Macedo afirma ainda que a Ceia anuncia, entre outras coisas, os milagres extraordinários do Senhor, suas curas, e sua vitória sobre os demônios.

Fica claro que o conceito da IURD sobre a Ceia é radicalmente controlado pelas distorções da sua cosmovisão. Longe de "representar Cristo e os seus benefícios, e nosso interesse nele" (CFW, 27:1), a Ceia na IURD torna-se primariamente (embora não exclusivamente) um meio de se alcançar saúde, cura e benefícios materiais. Não é de se admirar que igrejas locais da IURD admitam à Ceia, não somente os seus membros, mas todos quantos se façam presentes na igreja, no momento da celebração, quer evangélicos ou não. O convite a católicos e espíritas é feito abertamente. De acordo com a CFW, porém, Cristo instituiu a Ceia "para fazer uma diferença visível entre os que pertencem à Igreja e o resto do mundo"(27:1) — aspecto ausente na eucaristia iurdiana. Assim, além de omitir os aspectos fundamentais da obra de Cristo simbolizados na Ceia, Macedo lhe dá um sentido alheio às Escrituras.


Batismo

Macedo acredita que a perfeição cristã é introduzida após as águas batismais. Para ele, no batismo a velha natureza é crucificada, já que "não podemos ficar com duas naturezas, uma pecaminosa e outra convertida".

Macedo ensina que, os que são batizados por imersão,

... automaticamente, sem forçar a sua vontade, deixam de praticar atos pecaminosos. Por maior que seja o seu "mau gênio", ela, pelo batismo, se torna a pessoa mais dócil e humilde deste mundo. . . Também aquelas pessoas que não conseguiam largar o vício, após terem aceito o Senhor como seu Salvador pessoal, e terem se batizado, instantaneamente, e espontaneamente o abandonam.

O ensino de Macedo, ligando a graça salvadora e santificadora ao batismo, vai contra a instrução bíblica sobre a salvação pela graça somente, como diz a CFW em seu ensino sobre o batismo:

Posto que seja grande pecado desprezar ou negligenciar esta ordenança [o batismo], contudo, a graça e a salvação não se acham tão inseparavelmente ligados com ela, que sem ela ninguém possa ser regenerado e salvo ou que sejam indubitavelmente regenerados todos os que são batizados (CFW, 28:5).

Macedo rejeita o batismo infantil argumentando que batismo pressupõe, necessariamente, arrependimento. E conclui: "De que maneira uma criança vai se arrepender de seus pecados, se ela não os têm?" Evidentemente uma criança não pode arrepender-se de seus pecados, mas não porque não os tenha. Macedo aqui parece crer na inocência ou pureza natural das crianças. Como tal, nega a afirmação bíblica da total depravação do ser humano, desde o nascimento, conforme o ensino da CFW sobre a Queda e o pecado do homem:

Por este pecado eles [Adão e Eva] decaíram da sua retidão original e da comunhão com Deus, e assim se tornaram mortos em pecado e inteiramente corrompidos em todas as suas faculdades e partes do corpo e da alma.

Sendo eles o tronco de toda a humanidade, o delito de seus pecados foi imputado aos seus filhos; e a mesma morte em pecado, bem como a sua natureza corrompida, foram transmitidas a toda a sua posteridade, que deles procede, por geração ordinária (ver Sl 51.5; 58.3). (CFW, 6:2,3).

O ensino da IURD sobre os pontos acima representam uma degeneração do ensinamento bíblico sobre os sacramentos.


Dízimos e ofertas

O sistema e método da arrecadação de dízimos e ofertas é um outros aspecto da vida da IURD que consideramos uma desfiguração do ensino bíblico da mordomia cristã. A idéia que é passada em seus cultos, escritos, programas, concentrações, é que as bênçãos de Deus, quer materiais (prosperidade, saúde, emprego, bens materiais) ou espirituais (libertação e cura, por exemplo) serão derramadas sobre o fiel em proporção ao tamanho da oferta dada. Embora Macedo procure se referir à oferta dos fiéis como uma demonstração de amor a Deus, está ausente o conceito bíblico de que os crentes devem contribuir para a causa do Evangelho e sustento dos pobres e necessitados, sem visar recompensas divinas ou humanas. Indagado acerca da fundamentação teológica para a insistência da IURD em recolher dinheiro de seus fiéis, e se quanto mais dinheiro alguém der, maior será a bênção recebida de Deus, Macedo respondeu, após citar 2 Coríntios 9.6:

Eu ensino isso às pessoas. De acordo com o tamanho da fé, a pessoa faz a oferta. Para que alguém alcance as riquezas de Deus, é preciso manifestar uma fé. A fé no Deus vivo é o melhor investimento que uma pessoa pode fazer na vida.

E comentando o crescimento da IURD (em 1995), afirmou:

Por que a Universal cresce? Porque está trazendo benefícios para as pessoas. Caso contrário, a igreja desapareceria. As pessoas estão recebendo. Está havendo uma troca com o CriadAo mesmo tempo, a IURD identifica a prosperidade financeira como sendo um sinal evidente das bênçãos de Deus sobre a vida de alguém. A transformação que Deus opera nas vidas das pessoas é entendida em termos de cura da AIDS, cura de paralíticos, restauração de casamentos, sucesso financeiro, etc. Estão ausentes os conceitos evangélicos de reconciliação com Deus, perdão de pecados, e adoção, entre outros.

Embora reconheçamos que nas Escrituras existem promessas divinas de retribuição material aos que contribuem generosamente para os pobres, necessitados, e para a causa do Reino de Deus, apontamos para o fato de que, muito mais do que a fé e a quantia de quem dá, a ênfase recai sobre o propósito e a intenção do doador em dar livremente, sem nada esperar em troca. O verdadeiro ofertante não está interessado no que Deus lhe possa dar, mas em agradá-lo, em fazer outros felizes, em fazer o bem, praticar boas obras. Na pregação da IURD, existe forte ênfase no aspecto retributivo, criando em seus membros uma mentalidade de troca com Deus. Consideramos este aspecto uma desvirtuação do ensino bíblico, especialmente porque abre as portas para a manipulação dos fiéis quanto às suas ofertas.

O dinheiro, na teologia da IURD, ganha quase que um status sacramental. Segundo Macedo,

O Espírito Santo nos faz compreender que o dinheiro, na Sua obra, é o sangue da Igreja do Senhor Jesus Cristo, pois que ele, através de um meio qualquer de divulgação, faz pessoas receberem a vida eterna dentro de um hospital, lar, presídio, etc.

Para Macedo, bilhões vão passar a eternidade no inferno "porque não houve quem financiasse, através dos seus dízimos e ofertas, o trabalho missionário".

O dinheiro, na visão de Macedo, torna-se a maneira pela qual a Igreja pode prová-lo de forma exclusiva, tal sua importância.

A validade do dízimo como forma neo-testamentária de contribuição como propagado pela IURD, não difere do ensino de muitas igrejas protestantes históricas e pentecostais. Entretanto, enquanto que algumas delas insistem no aspecto liberal e desinteressado do dizimista, Macedo enfatiza que as ofertas e dízimos são a chave que abre os tesouros da graça e do poder divinos. Diz Macedo:

Quando pagamos o dízimo a Deus, Ele fica na obrigação (porque prometeu) de cumprir a Sua palavra, repreendendo os espíritos devoradores que desgraçam a vida do ser humano, atuando nas doenças, acidentes, vícios, degradação social, e em todos os setores da atividade humana, os quais fazem o homem sofrer. Quando somos fiéis nos dízimos, além de nos vermos livres destes sofrimentos, passamos a gozar de toda a plenitude da Terra, tendo Deus ao nosso lado, nos abençoando em todas as coisas.

Macedo revela falta de compreensão do relacionamento pactual entre Deus e o homem, quando afirma que Deus deseja ser nosso sócio, e que nesta sociedade, o que é nosso passa a ser de Deus ("nossa vida, nossa força, nosso dinheiro"), e o que é de Deus ("as bênçãos, a paz, a alegria, a felicidade") passam a nos pertencer.

Percebe-se ainda uma notável semelhança entre a IURD e a Igreja Católica medieval no que tange às tentativas de se obter a graça de Deus através de esforços humanos: naquela época, pela compra das indulgências; aqui, conforme o documento da AEVB, "a compra do sucesso através das intermináveis correntes de prosperidade que demandam do fiel que doe dinheiro em cada culto, sob pena de não alcançar a bênção".


Uso de objetos ungidos

A prática pastoral da IURD, em muitos aspectos, também justifica nossa preocupação com a sua descaracterização como igreja cristã. Algumas destas práticas são descritas pela AEVB como se segue:

O uso dos elementos mágicos dos cultos e das superstições populares do Brasil, entre eles o sal grosso (para afastar maus espíritos), a rosa ungida (usada nos despachos e nas oferendas a Iemanjá), a água fluidificada (usada por credos espiritualistas a fim de trazer a influência espiritual para o corpo humano), fitas e pulseiras (semelhantes na sua designação às fitas do chamado Senhor do Bonfim), o ramo de arruda (usado para afastar coisas más) e uma quantidade enorme de apetrechos aos quais se empresta [sic] supostos valores espirituais que podem ser passados por seus usuários.

Estes objetos mencionados acima (e outros) são empregados pela IURD em sua "batalha espiritual" contra os demônios, dentro da sua convicção de que todos os males existentes no mundo são por eles produzidos. Teoricamente, a IURD não parece crer que exista qualquer poder intrínseco nos mesmos; estes objetos são vistos como "pontos de contato" que têm como alvo "despertar a fé" das pessoas. Mas na sua praxis litúrgica, a idéia é outra:

Muitas pessoas dizem que a angústia e brigas em casa são coisas da época que vivemos. Isso é falso. São coisas resultantes da presença dos demônios. As vezes querem ir à Igreja,. Mas na hora de ir perdem a coragem ou acontece alguma coisa. Tudo o que impede as pessoas de ir à igreja é demônio. Venha, vamos ungir o seu pé direito e desamarrar a sua vida.

Participe da campanha da arruda contra os maus espíritos na última sexta feira do mês. Temos a oração de descarrego com arruda, uma oração forte, muito forte, para a sua vida.

Venha receber o pão da cura, o pão da bênção, o pão do Espírito. Leve um pedaço de pão para um doente. Ele vai ser curado!

Venha à Igreja Universal receber uma fita para colocar no seu braço. Você que hoje está com uma fita vermelha venha na próxima semana receber uma fita azul, em que está escrito: persegui os meus inimigos e só voltei depois que os esmaguei. Venha, pois no domingo você vai receber a fita azul, em todas as igrejas Universal. Largue a fita do Senhor do Bonfim, dos santinhos, e venha receber a nossa fita azul, da cor do céu.

A IURD não somente emprega práticas pagãs supersticiosas; usa também a nomenclatura do baixo espiritismo para se referir às entidades espirituais malignas. Enquanto que as Escrituras silenciam quanto aos nomes dos demônios, mencionando apenas por nome o líder deles, Satanás, a IURD se utiliza da nomenclatura afro-brasileira dos deuses da Umbanda para dirigir-se aos demônios, identificá-los e eventualmente expulsá-los. "Tranca ruas", "pomba gira", "exús", "caboclos", "preto velho", etc., são nomes normalmente empregados nos cultos de libertação.

Contrariando o ensino bíblico do culto ao Deus vivo em espírito e verdade, e introduzindo elementos, nomenclatura e conceitos pagãos na sua liturgia, a praxis da IURD representa uma desfiguração e deformação do culto evangélico, terminando por praticar de outra forma a superstição e a ignorância religiosa que condena no catolicismo e espiritismo brasileiros.


Expulsão de demônios como principal ministério

Uma outra corrupção prática da IURD decorre da sua doutrina fundamental de que todos os males que acometem as pessoas, a sociedade, a Igreja, e os cristãos individualmente, são produzidos diretamente por demônios, os quais se instalam nas vidas destas pessoas (crentes ou descrentes) e nas estruturas sociais, políticas e econômicas. Em decorrência, para a IURD, a estratégia principal da Igreja para ajudar as pessoas é sempre confrontar e expelir essas entidades malignas. Esta visão do mundo e da missão da Igreja é uma característica distintiva da IURD, e de outras igrejas que adotam a "batalha espiritual".

No pensamento da IURD, em sua ação pastoral, missionária e evangelística, a Igreja deve sempre empregar o método de expulsão de demônios para libertar as pessoas e a sociedade destes males. Concordamos com D. Powlison, em sua crítica ao movimento de "batalha espiritual", ao afirmar que o que está por detrás dos ministérios de libertação individual é a crença equivocada de que "os demônios do pecado residem dentro do coração humano". A característica principal dos modernos movimentos de "libertação", entre eles a da IURD, é a expulsão de demônios, o que caracteriza uma profunda distorção do ensino bíblico sobre a prática pastoral. O livro de Macedo, Orixás, Caboclos & Guias: Deuses ou Demônios se propõe a esclarecer este "ministério", ensinando inclusive, como se deve agir na "missão de ajudar as pessoas a se libertarem".


RELAÇÕES ENTRE A IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL E A IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS

À luz da sua pesquisa acima, a Comissão Permanente de Doutrina entende que existem elementos evangélicos suficientes na pregação da IURD para que as pessoas ali sejam genuinamente convertidas pela ação do Espírito Santo, através da verdade do Evangelho; mas que existem crenças e prática, de tal forma contrarias ao Evangelho de Cristo, que a IURD não pode ser considerada senão como uma igreja desfigurada; e que a mensagem ali pregada apesar de afirmar pontos centrais, acaba por ser uma caricatura do Evangelho de Cristo. E que, em que pesem os testemunhos de pessoas transformadas, e a divulgação do nome de Cristo no Brasil, a atuação da IURD tem muito mais contribuído para disseminar um evangelho desfigurado, trazendo assim um desserviço ao avanço do verdadeiro Reino de Deus no Brasil.

Atendendo à determinação da Comissão Executiva, a Comissão Permanente de Doutrina vem agora, à luz da conclusão acima, oferecer sugestões sobre como concílios, pastores e membros da Igreja Presbiteriana, devem proceder em situações potencialmente difíceis que envolvam um relacionamento com a IURD.

Recepção de pessoas egressas da IURD

A Comissão Permanente de Doutrina recomenda que tais pessoas sejam recebidas como membros comungantes somente após um período de instrução bíblica e na fé reformada por parte dos conselhos, cuidando, em particular, que elas sejam corrigidas quanto às distorções doutrinárias e práticas da IURD aqui expostas e criticadas (1 Timóteo 4.1-2; 2 Timóteo 2.25-26).

Recomenda ainda que essas pessoas sejam recebidas por pública profissão de fé, e que as perguntas do Manual de Culto da Igreja Presbiteriana do Brasil para esta ocasião sejam devidamente respondidas.


Cargos de liderança em igrejas da IPB por pessoas egressas da IURD

A Comissão Permanente de Doutrina recomenda que estas pessoas, após recebidas como membros comungantes, sejam ainda observadas pelos conselhos pelo período de um ano, no mínimo, conforme prescreve a CI-IPB, se forem candidatas a cargos de oficialato (1 Timóteo 3.1-13; ver especialmente vv. 6-7).

Quanto a cargos de liderança em geral (como por exemplo, presidentes de organizações internas, ou professores de ED) recomenda-se que, mesmo não sendo artigo constitucional, o mesmo prazo seja observado, com o objetivo de permitir a plena assimilação por parte dessas pessoas, das doutrinas e práticas da IPB.


Freqüência às reuniões da IURD por membros da IPB

A Comissão Permanente de Doutrina recomenda que, com o objetivo de evitar que os membros das igrejas presbiterianas sejam expostos às doutrinas e práticas contrárias à fé reformada, os conselhos e pastores instruam-nos e recomende-lhes que participem efetivamente dos cultos e atividades das suas igrejas locais, e que evitem participação nas reuniões da IURD. O mesmo cuidado é recomendado com relação aos programas veiculados pela mídia pela IURD.


Participação de pastores da IPB em eventos em conjunto com pastores da IURD

Embora reconhecendo que pronunciamentos individuais de pastores e membros da IPB, bem como seus envolvimentos particulares ou públicos com outros grupos religiosos, não representem uma posição da IPB quanto a esses grupos, a Comissão Permanente de Doutrina recomenda aos concílios que orientem seus pastores a que não promovam e nem se envolvam em eventos que exijam sua participação com pastores e obreiros da IURD, com o fim de evitar, perante o grande público brasileiro, e os membros das igrejas evangélicas, qualquer idéia de comprometimento por parte dos presbiterianos com a credenda e a agenda iurdiana.

Adoção de usos, costumes, e métodos da IURD por parte de igrejas e organizações da IPB

A Comissão Permanente de Doutrina recomenda expressamente que não se adote nas igrejas presbiterianas a prática iurdiana de usar apetrechos e objetos cúlticos sob o pretexto de estimular a fé, ou de que tenham em si qualquer poder espiritual, como copos d’água, fitas coloridas, ramos de arruda, sal grosso, entre outros. Essa recomendação tem em vista, não somente os cultos públicos, como também reuniões nos lares e outras reuniões das igrejas.

Recomenda que não se adote calendários litúrgicos onde figurem reuniões de libertação, correntes de oração para prosperidade, e demais costumes e métodos empregados pela IURD, visto que são contrários ao ensino bíblico e à fé reformada.

Recomenda ainda que não se adote por parte das igrejas, concílios e organizações da IPB, métodos de crescimento de igreja inspirados na cosmovisão, liturgia e metodologia da IURD. Que adotem, ao contrário, uma metodologia estratégica de evangelização e missões que seja fruto da reflexão bíblica, e não da emulação que se deixa impressionar com o aspecto externo do crescimento das igrejas neopentecostais.

 

 

 

A Igreja Universal não é protestante nem evangélica

Diante de mim vinte e seis horas de viagem, entre vôos e aeroportos, entre Recife-Guarulhos-Miami-St. Louis. Costumo ler e/ou escrever para preencher o tempo. No aeroporto compro um exemplar do livro de maior tiragem da história editorial brasileira (700 mil exemplares): "O Bispo – A História Revelada de Edir Macedo", de autoria dos jornalistas Douglas Tavolaro e Cristiana Lemos (ambos funcionários da Record), Editora Larousse.

O texto é agradável de ler, com capítulos curtos e estilo narrativo. Uma biografia "chapa branca" de um empresário bem sucedido, nos ramos imobiliário, de comunicação e eclesiástico, que mora nos Estados Unidos e tem residência nos diversos continentes, para onde viaja em jato particular.

Em 35 anos de um galpão de uma antiga funerária no Rio de Janeiro para 172 países ( 4.748 templos e 9.660 pastores somente no Brasil) e a propriedade da segunda rede de televisão em audiência.

Um oriundo da Igreja de Nova Vida, do saudoso bispo Roberto MaCalister, juntamente com o seu cunhado Romildo Ribeiro Soares (o R.R. Soares da hoje Igreja Internacional da Graça de Deus) para a criação de algo peculiar em nosso cenário religioso: a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

O mais difícil no livro foi achar referências a pessoas e a obra de Jesus Cristo. Fala-se de Deus, da Igreja, do Bispo, dos Pastores. A Teologia é centrada em dois eixos: a troca entre oferta e bênção e os descarregos das entidades espirituais negativas, e só. Dentre as opiniões heterodoxas, a defesa do aborto.

Fui membro da Banca Examinadora da Dissertação de Mestrado em Sociologia da Religião, defendida pelo pastor Estevão Fernandes, da Primeira Igreja Batista de João Pessoa, na Universidade Federal da Paraíba, e fui membro da Banca do Exame de Qualificação da Dissertação na mesma área pelo reverendo anglicano Washington Franco, na Universidade Federal de Alagoas, ambas tendo como tema a Igreja Universal. Li textos e o jornal "Folha Universal". Assisti aos padronizados programas de televisão, desde o antigo "25ª. Hora".

A minha conclusão serena é que a Igreja Universal do Reino de Deus não é uma Igreja protestante ou evangélica, por não ter nenhuma relação teológica, confessional ou ética com qualquer das expressões da Reforma, mas se constitui em uma seita para-protestante (muito menos protestante do que a Congregação Cristã no Brasil), porém não uma seita para-cristã como as Testemunhas de Jeová, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, os Mórmons ou a Ciência Cristã.

Não é uma igreja pentecostal, e não deve ser chamada de neo-pentecostal, porque além dos pentecostais serem protestantes, não há qualquer semelhança entre os dois grupos, antes posições até antagônicas. Daí o uso da expressão pós-pentecostalismo ( Paulo Siepierski), iso-pentecostalismo (sociólogos argentinos) e pseudo-pentecostalismo (Washington Franco).

O problema é que a Igreja Universal do Reino de Deus se apresenta como "evangélica" confundindo o já esfacelado e caótico quadro das Igrejas reformadas entre nós, e infiltrando suas crenças e práticas exóticas entre os nossos membros mais desavisados.

Ler o livro foi importante para mim, ratificando o que já percebia. A IURD é isso mesmo. Ainda vai dar muito o que falar. Ponhamos as nossas reformadas barbas no molho e ensinemos a verdade da Palavra ao nosso povo.
 


Dom Robinson Cavalcanti - Igreja Anglicana.

* Revisado pelo CACP

 

 

 

IURD e Rede Record – A Favor do Aborto e Contra a Vida

“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância – Jesus Cristo”. (João 10.10)

O CACP tem a muito tempo denunciado as contradições da IURD (Que Reino é Este?). Mas agora, entendemos que o Bispo Macedo e a Rede Record foram longe demais. Em uma contextualização bíblica, podemos concluir que tal ato coloca a IURD como uma denominação religiosa apóstata, com requinte herético que supera até mesmo a Igreja Católica Romana!!! Qualquer pessoa que realmente entenda o que é ser cristão não deve pertencer a essa denominação anticristã e pró-aborto (A Legalização do Aborto).

A “guerra” entre a TV Globo e a Rede Record


A “guerra” entre a TV Globo e a Rede Record foi matéria de capa da Veja na semana passada (ed. 2029 / ano 40/ n. 4010). O Bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), detém 90% do capital da Rede Record, comprada por ele em 1989. Sua mulher detém os outros 10%.

Hoje a Record é uma emissora do mesmo nível da Rede Globo, inclusive com as suas práticas contra o evangelho de Cristo: pornografia, promiscuidade, violência... Enfim, tudo o que uma emissora fora dos padrões cristãos pode ter!

Na briga pelo ibope, ultrapassou o SBT em várias faixas de horário, para ocupar o segundo lugar em audiência nacional, com programação variada e um núcleo de produção de novelas (o Recnov) que conta com altos investimentos. A meta da Record é ultrapassar a Globo e se tornar a primeira - custe o que custar.

Com discursos afinados e tendo como alvo o monopólio nas comunicações, o presidente Lula e o bispo Edir Macedo estiveram juntos no dia 27 de setembro, na inauguração do Record News, primeiro canal inteiramente noticioso da TV aberta brasileira.


Bispo Edir Macedo: Um Defensor do Aborto e Inimigo da Vida

A IURD vem se diferenciando da posição bíblica e ortodoxa de outras igrejas evangélicas. O canal do Bispo tem veiculado uma vinheta que fala dos direitos de escolha das mulheres, inclusive o direito de decidir por um aborto. Em entrevista à Veja, o bispo licenciado Honorilton Gonçalves, vice-presidente da Record, disse que esta foi uma orientação direta de Edir Macedo “que nos pediu que conscientizássemos a sociedade da importância da mulher poder decidir sobre seu próprio destino”. Segundo ele, a programação evangélica que vai ao ar nas madrugadas “atende seu propósito, que é mostrar que a Igreja Universal [4.748 templos e 9.660 pastores] tem a mente aberta. Está preparada para discutir qualquer assunto: aborto, planejamento familiar, adoção de crianças por homossexuais”.

A IURD admite o aborto e o divórcio nos casos previstos em lei. Segundo reportagem publicada no dia 13/10 na Folha de S. Paulo, parlamentares ligados à IURD - hoje 7 deputados federais e 1 senador - defendem o direito ao aborto. Macedo fala do tema abertamente e defende a legalização:Sou favorável à descriminalização do aborto por muitas razões... O que é menos doloroso: aborto ou ter crianças vivendo como camundongos nos lixões de nossas cidades, sem infância, sem saúde, sem escola, sem alimentação e sem qualquer perspectiva de um futuro melhor?... Acredito, sim, que o aborto diminuiria em muito a violência no Brasil, haja vista não haver uma política séria voltada para a criançada. (Leia a entrevista)


O Bispo e o Consentimento ao Homossexualismo


Em mais uma demonstração de que pretende se diferenciar por suas posições menos conservadoras do que a de seus pares, Macedo afirmou que não rejeitaria um filho homossexual “de forma alguma”. “Tentaria ajudá-lo da melhor forma possível. Porque, se Deus respeita a livre opção de vida da criatura humana, por que não o faria eu?”, disse.

Na mesma entrevista, concedida ao jornal Folha de S. Paulo, Macedo também defendeu o uso de embriões humanos pela medicina e rejeitou a dependência que a TV Record teria da IURD, afirmando acreditar que a emissora sobreviva sem os recursos da Universal.


Fonte de pesquisas:

Angela Freitas

http://www.mulheresdeolho.org.br/?p=245

Jornal Folha de SP

 

 

 

Bispo Edir Macedo defende abertamente o aborto

 

Bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, defende abertamente o assassinato de crianças mediante o aborto, conforme entrevista dada ao jornal Folha de S. Paulo em 13 de outubro de 2007:

FOLHA — Em sua biografia, o sr. defende o aborto. Atualmente, a Record e a Record News exibem campanha pelo aborto. Por quê?

MACEDO —
Sou favorável à descriminalização do aborto por muitas razões. Porém, aí vão algumas das mais importantes:

1) Muitas mulheres têm perdido a vida em clínicas de fundo de quintal. Se o aborto fosse legalizado, elas não correriam risco de morte;

2) O que é menos doloroso: aborto ou ter crianças vivendo como camundongos nos lixões de nossas cidades, sem infância, sem saúde, sem escola, sem alimentação e sem qualquer perspectiva de um futuro melhor? E o que dizer das comissionadas pelos traficantes de drogas?

3) A quem interessa uma multidão de crianças sem pais, sem amor e sem ninguém?

4) O que os que são contra o aborto têm feito pelas crianças abandonadas?

5) Por que a resistência ao planejamento familiar? Acredito, sim, que o aborto diminuiria em muito a violência no Brasil, haja vista não haver uma política séria voltada para a criançada.


FOLHA — “Deus deu a vida e só Ele pode tirá-la”, segundo a Bíblia. Não é contraditório um líder cristão defender o aborto?

MACEDO —
A criança não vem pela vontade de Deus. A criança gerada de um estupro seria de Deus? Não do meu Deus! Ela simplesmente é gerada pela relação sexual e nada mais além disso. Deus deu a vida ao primeiro homem e à primeira mulher. Os demais foram gerados por estes.

O que a Bíblia ensina é que se alguém gerar cem filhos e viver muitos anos, até avançada idade, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz do que ele (Eclesiastes 6.3). Não acredito que algo, ainda informe, seja uma vida.


FOLHA — O sr. é a favor do uso de embriões humanos pela medicina?

MACEDO
— Sou a favor, sim.


As declarações do Bispo Macedo foram publicadas um dia depois do Dia das Crianças. Enquanto os cristãos estavam celebrando as crianças como bênção de Deus, um homem que se diz cristão e bispo prega e apóia a morte das crianças.

Sim, os tempos mudaram. No passado — e até mesmo no presente —, os Herodes eram uma espécie que dava para se achar somente no governo. Hoje, eles também estão nas igrejas.


Fontes: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

Publicado :http://www.arcanjomiguel.net